7.9.05
Don Giovanni


29 de Agosto. 14º dia de viagem. Praga.
Uma plateia muito pequena. Umas cadeiras de madeira a prometerem o desconfortável. Um palco onde pareciam caber só crianças. Aparece uma cabeleira branca. Pede aplausos, muito desgrenhado e desconcertante Mozart aparece-nos com um metro ali mesmo à nossa frente (a primeira fila era nossa). Foi aparecendo várias vezes. A marioneta cada vez que aparecia fazia-me rir, bastava começar a aparecer aquela desajeitada figura do fundo do palco e já não me conseguia conter. Todos os seus gestos pareciam humanos. Fez o que quis de nós, rimos, apanhámos pautas de música, levámos com pingos de água, fez-nos bater palmas, mandou-nos beijinhos, seduziu-nos, mandou calar quem cochichava... tudo sem uma palavra!
As outras marionetas movimentavam-se lá mais atrás no palco. Era lá que a ópera se passava e "Don Giovanni" acontecia. Conquistas, descobertas, lutas. Aventuras em italiano mas das quais não percebemos uma frase, só intensões, sentimentos. Foi maravilhoso ver aquelas mãos que moviam os bonecos, fabulosa delicadeza, coordenação e concentração. A primeira fila é evitada por isso, porque se vê, mas para mim valeu ainda mais assim. No final os artistas mostraram as caras em suor, felizes brincaram. E nós aplaudimos, aplaudimos muito!



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