2.9.05
balanço da solidariedade
A propósito do 25º aniversário do Solidariedade, Zbigniew Bujak, seu antigo líder numa região da Polónia central e um herói da resistência clandestina durante a lei marcial dos anos 80, escreveu ontem no "Público" um balanço do impacto do movimento na sociedade polaca. "Antes de tudo, o Solidariedade foi um grito de dignidade". E é um pouco do desenrolar desse grito que nos dá a conhecer no artigo. No final, faz o balanço dos dias de hoje -- onde chegou a Polónia, em pleno desenvolvimento económico -- e deixa um grito desiludido: "seria realmente inevitável que o nosso Solidariedade tenha deixado escapar tanta solidariedade?".

«(...) algumas das nossas esperanças de uma nova ordem social esmagaram-se contra a parede das novas regras do jogo. No entanto, as instituições democráticas da Polónia, apesar das suas imperfeições, funcionam bastante bem. O crescimento económico é impressionante e a vida está definitivamente a melhorar.
Mas a energia da sociedade civil, o sentido do destino comum, a manifestação universal da solidariedade social que o nosso sindicato defendia nesses tempos - todas estas coisas desapareceram em grande medida.(...)
Mais importante ainda, o carácter unificador do Solidariedade deu lugar a divisões sociais e a uma grande dose de alienação em relação aos compromissos políticos e cívicos por parte de muitos polacos.
É isto que a normalidade forçosamente significa? Os tempos de luta dão inexoravelmente lugar ao sentimento de vazio da vitória? Serei eu apenas um melancólico veterano, saudoso dos velhos tempos do combate?
Talvez, embora não seja do tipo nostálgico. Sei que percorremos um longo caminho e não quero voltar para trás. Mas seria realmente inevitável que o nosso Solidariedade tenha deixado escapar tanta solidariedade?
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