20.7.05
um erro caro
Sarsfield Cabral, hoje no DN (sublinhado meu):

«Depois dos atentados de Londres, movimentos britânicos contrários à guerra do Iraque voltaram a exigir a retirada das tropas britânicas. Nos Estados Unidos, as sondagens mostram uma crescente vontade popular de fazer regressar os soldados. Ceder a estas pressões seria dar um rebuçado aos terroristas, na medida em que o Iraque se tornou um dos símbolos da sua luta anti-ocidental. Mas esta evidência não justifica retroactivamente a invasão. Bem pelo contrário.
O terrorismo da Al-Qaeda não começou com o 11 de Setembro. Mas ele deu a Bush o pretexto para avançar com um projecto antigo derrubar Saddam Hussein pela força. Digo pretexto porque não se vê relação entre invadir o Iraque e combater o terrorismo de forma inteligente. Ou melhor, uma relação passou a existir depois da invasão: a CIA reconhece que o Iraque se tornou um viveiro de terroristas islâmicos. The Economist (apoiante da invasão) escreve que o Iraque é uma ameaça porque se tornou um ponto de atracção e um campo de treino para combatentes estrangeiros. E o chefe da unidade antiterrorista de França disse que o Iraque relançou a lógica do combate global ao Ocidente.
Entretanto, apesar do êxito das eleições de 30 de Janeiro, das muitas prisões de terroristas e das sucessivas afirmações optimistas da Administração Bush, a situação no Iraque está péssima. Por mês são assassinados, em média, 800 polícias e civis iraquianos. A estratégia (?) americana para o pós-guerra revelou-se um desastre, de uma falta de profissionalismo difícil de entender. E Rumsfeld lá continua… Mas nada do que acontece ali surpreende quem antes tenha pensado uns minutos na questão, em vez de se deixar arrebatar por ideologias na moda. A invasão do Iraque foi um erro terrível, que já estamos a pagar e pagaremos durante muito tempo.
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