10.7.05
o que será que será
Esperei com toda a paciência de que sou capaz por ter ideias mais claras sobre este assunto e, confesso, continuo a não me sentir capaz de escrever sobre ele. Mas tem de ser. Entre o calar e o exprimir escolho o escrever.
Ataque terrorista em Londres… Oiço piadas, oiço frases como “já toda a gente estava à espera”, “que pontaria incrível precisamente na altura em que todos os olhares estavam virados para Inglaterra”, “hum… um bocadinho falhado este ataque… tão poucos mortos”.
Como é que uma humanidade superou tudo o que sempre se jurou impossível só consegue encontrar duas soluções para este problema?

1- Continuo, feita parva a minha vidinha, especulando sobre qual a próxima cidade que será atacada, tornando-me meia insensível, “mais um”. Assim num processo semelhante ao que acontece entre Israel e a Palestina ou com as diárias mortes no Iraque. Compramos as revistas e jornais com os pormenores do terror até que os saldos ou as férias cheguem.
2- Alio-me à retaliação, às razões que me dão para atacar os países que são ninhos de terrorismo, “espalhando a paz e a liberdade pelas guerras necessárias”.

Não é possível que não encontremos outras formas de acabar com isto. Não aceito que isto se torne normal, numa espécie de justificação “sempre houve guerras” muito enfiados na nossa vida, muito enrolados à volta só da nossa própria realização.
Não aceito a guerra seja pelos motivos que for! Tem de haver outras formas.
Quando me deixo prender por alguém que, ali à distância de uma mão, fala e abre muito os braços, que fala e explica como as emoções vêm da barriga subindo num calor muito grande cá para fora, que fala e percebe que o seu trabalho mexe com o que é mais sensível nas crianças: saúde e alegria de esperança infinita… penso, esta nossa energia tem de servir de algo ao mundo, não serve de nada ser só nossa.
À Flor da Pele. Tenho estado com esta música na cabeça “o que será que será”. Chico deixa três frases:

“o que não tem receita.
o que não tem limite.
o que não tem juízo.”

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Aquilo de que Somos Feitos, da coreógrafa Lia Rodrigues
"Com corpos delineados e flexíveis, os bailarinos criaram formas impressionantes"



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