26.7.05
A Máquina
A primeira vez que me lembro de ter visto uma foi na mesa do meu avô. Ele olhava por cima dos grandes óculos de massa amarelada e esperava que eu escolhesse o sítio onde me iria sentar. Depois de eu sentada e ele a salvo continuava. Sisudo. Compenetrado. Escrevia na máquina de escrever. Eu. Parada. Longe. Era regra: “jamais mexer na máquina” como eram outras regras: “nem pensar em falar quando se estava a ver televisão” ou, a mais difícil e mais inviolável de todas, a maior ofensa que lhe poderíamos fazer: “mexer na estante dos chocolates”. Eram dele! Nada por maldade. Necessidade sim, quando se tem oito netos todos em escadinha onde a asneira se propaga como rastilho a sobrevivência leva a estas medidas. Com o tempo a máquina foi arrumada. Com o tempo estes e novos netos aproveitaram bem a doçura que a velhice trouxe.

Não vi muitas mais… algumas. As mais modernas não gosto. Aquela ilusão de que é muito fácil mas depois é incrivelmente difícil fazer sair três linhas sem erros.

Hoje lembrei-me por raiva à informática. Como é que um computador perde toda a informação de anos assim em menos de um segundo e nem pede desculpa? Como pode um computador, a porcaria de todos os computadores terem cada um a sua personalidade, do género: “vou bloquear agora” ou “este programa não vai funcionar aqui” ou “recuso-me a ler mais este DVD esta tarde… tenta outra vez daqui a umas horas”. Irritante! Eu não tenho paciência… é “alt-ctrl-del”, “reset” ou “desliga a ficha”. Não tem sido muito mau.

Por outro lado… ainda hoje recebi no e-mail um texto fabuloso e triste. Um daqueles textos que pode acrescentar mais a quem somos. (aconselho no próximo Comtextos) E posso responder que gostei muito, posso agradecer o tempo que alguém tão longe e com uma vida tão cheia de luta magoada mas sempre corajosa nos dedicou. Simples, para o outro lado do Oceano.





MAS UM DIA AINDA HEI-DE TER A MINHA MÁQUINA.



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