5.7.05
A casa I
Um enigma que me ocupava a cabeça distraída. Muitas vezes. Em vários anos. Sempre sem solução. Que casa seria aquela. Sem solução afastava o pensamento dali. Que chatice...

Recordei hoje ao ler Pablo Neruda em "Confesso que vivi":

"Mudava de casa quase diariamente. Por todos os lados se abria uma porta para me proteger. (...) Entre os lugares comoventes que me albergaram, recordo uma casa de dois compartimentos, perdida nos bairros pobres de Valparaíso. Estive ali limitado a um pedaço de compartimento e a um cantinho da janela, donde observava a vida do porto. (...) Enclausurado no meu canto, sentia uma curiosidade infinita. Meditava e fazia deduções solitárias. Por vezes não conseguia resolver os problemas. Por exemplo: por que razão as pessoas que passavam lá em baixo, tanto as indiferentes como as apressadas, se detinham sempre no mesmo sítio?"

Ao lembrar, encontrei:

A CASA

(Toquinho e Vinícius de Moraes)

Era uma casa muito engraçada
Não tinha teto, não tinha nada
Ninguém podia entrar nela não
Porque na casa não tinha chão
Ninguém podia dormir na rede
Porque na casa não tinha parede
Ninguém podia fazer pipi
Porque penico não tinha ali
Mas era feita com muito esmero
Na rua dos bobos, número zero


E o enigma permanece.



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