11.7.05
as lições de Londres
Timothy Garton Ash assina hoje no "Público" um artigo sobre os atentados em Londres (link para assinantes). Três ideias:

terrorismo é diferente de guerra
«(...) Um comentador americano dizia "estas imagens mostram que vivemos num mundo em guerra". E todos os músculos do meu corpo gritaram: não, não é essa a lição a tirar do ataque terrorista de Londres.
Londres experimentou em primeira-mão o que é uma guerra. As recordações da II Guerra Mundial estão presente nas suas pedras e tijolos, de uma forma que Nova Iorque não conhece. Embora este ataque tenha causado o maior número de baixas em Londres desde 1945, esta não é uma guerra no sentido que os comentadores americanos pretendem dar. As guerras são vencidas por exércitos. Os exércitos são apoiados por sociedades e economias fortes e serviços secretos; mas continuam a ser exércitos. Isto nunca será uma verdadeira guerra. (...)
Haverá mais atentados destes. O terrorismo não é um exército único que possa ser derrotado, como o "Wehrmacht" de Hitler. É uma técnica, um meio com vista a um fim, que é conseguido com maior facilidade devido aos "avanços" da tecnologia das armas. Será utilizada mais e mais vezes. Até certo ponto, teremos de aprender a viver com o terrorismo, tal como com outras ameaças crónicas. É aqui que os eventos em Londres se tornam mais impressionantes.
»

a resposta ao terrorismo
«A resposta [ao terrorismo] está num policiamento especializado e numa política inteligente. Recusando calmamente a metáfora melodramática da guerra, a Polícia Metropolitana de Londres descreveu os locais do metro e autocarro que sofreram os ataques bombistas como "cenas do crime".
É isso mesmo. Crimes. A polícia, ao trabalhar na cidade com maior diversidade étnica do mundo, desenvolveu técnicas perseverantes de relações comunitárias e de recolha de informação, bem como de investigação após o evento. Isto não impedirá que hajam mais ataques. Não impediu este. Mas um policiamento especializado dentro de fronteiras, e não o envio de soldados para o estrangeiro, é a melhor forma de minimizar a ameaça dos terroristas (...).
Por fim, é necessária uma política inteligente. Foi uma medida correcta tirar pela força a Al-Qaeda do Afeganistão. Pelo contrário, torna-se cada vez mais claro que a invasão do Iraque foi um erro, sendo quase certo que isso criou mais terroristas do que aqueles que eliminou.
»

globalização para o bem e para o mal
«Hoje em dia, os acontecimentos que ocorrem lá longe, em Cartum ou Kandahar, têm um impacto directo sobre nós - por vezes fatalmente, enquanto nos dirigimos para o trabalho, sentados numa carruagem do metropolitano entre as estações de King Cross e Russel Square. Deixou de haver política externa. Talvez seja esta a lição mais profunda a retirar do ataque terrorista de Londres.»



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