12.6.05
percursos do Eterno no Ocidente
Retomo a escrita na Terra da Alegria. Hoje, ao lado do Afonso Cruz e da Maria Conceição. Em jeito de introdução fica o excerto final do meu texto — Aquele que é, em discurso directo pela voz de Régis Debray, no final do livro "Deus, um itinerário. Materiais para a história do do Eterno no Ocidente":

«Desculpem ser pouco. A minha biografia, afinal, valia mais do que a minha definição. Eu ficava aquém do meu futuro com o famoso "Eu sou aquele que sou". Devia ter dito a Moisés: Aquele que morre e se transforma. Sou o Ser cuja essência consiste em jogar às escondidas, em esconder-vos o rosto e surpreender-vos por trás. Milénio após milénio. No fundo, eu era a própria poesia: um mito que diz a verdade. E a verdade, é que vocês não podem passar sem um poema, um sonho colectivo, uma faísca de outras paragens, se querem viver e não apenas sobreviver. Vocês são demasiado poucos para o conseguirem sozinhos. Esqueçam os números, Podem ser cinco, dez mil milhões nesta terra, que isso em nada alterará a vossa insuficiência de ser. Vão continuar em falta. Sugeri que a culpa era vossa, com aquela história do pecado original, para vos fazer ver e vos culpabilizar, de passagem. Não passava, acreditem, de uma força de expressão. Encontrem outras, se vos der para aí, mas nunca vão conseguir escapar à vertical. Havemos de voltar a encontrar-nos. Eu ou Outro... Adeus.»



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