6.5.05
Deriva


Não sei de que ilha será esta fotografia mas sei que a partir de amanhã estarei mais próxima dela. Açores.
Toda a gente me tem enchido os ouvidos e o entusiasmo da viagem que vou fazer. Lá espero encher os olhos de verde e mar.
Como o plano quase não existe deixo-vos um poema de quem gostou muito de viajar e sabia como contar. Como já se disse aqui nas suas palavras "Viajar é olhar".

Deriva


Vi as águas os cabos vi as ilhas
E o longo baloiçar dos coqueirais
Vi lagunas azuis como safiras
Rápidas aves furtivos animais
Vi prodígios espantos maravilhas
Vi homens nus bailando nos areais
E ouvi o fundo som das suas falas
Que já nenhum de nós entendeu mais
Vi ferros e vi setas e vi lanças
Oiro também à flor das ondas finas
E o diverso fulgor dos outros metais
Vi pérolas e conchas e corais
Desertos fontes trémulas e campinas
Vi o rosto de Eurydice das neblinas
Vi o frescor das coisas naturais
Só do Preste João não vi sinais

As ordens que levava não cumpri
E assim contando tudo quanto vi
Não sei se tudo errei ou descobri



Sophia de Mello Breyner Andresen



HaloScan.com