27.4.05
Visiones para Madrid
Madrid, Espanha (1992)

"Visiones não é propriamente um museu, é um espaço. O projecto foi feito no contexto de Madrid Capital da Cultura 1992, quando se pediu a alguns arquitectos que fizessem um trabalho sem programa para um local que escolhessem em Madrid. Escolhi um local que conhecia bem, porque tinha feito o concurso para o Centro Cultural de La Defensa, que não viria a ser construído. O projecto foi feito em total liberdade e em total gozo. O que fiz foi pegar em duas obras de Picasso, a Guernica e a Mulher Grávida, e criar duas galerias independentes para as expor. A certo ponto as galerias podem comunicar, encontrando-se num extremo a Guernica e no outro a escultura, como um contraste entre a vida e a morte."

Álvaro Siza



Aquele edifício (Serralves) é de facto magnífico. A luz. Principalmente a luz. As janelas enormes para um jardim verde e irresistível. O chão de madeira, os tectos muito altos contrastando com outros espaços de maior aconchego.

Visiones para Madrid:

Primeiro era a voz calma daquele meu amigo, já nos tínhamos juntado a ele por isso mesmo. Ele explicou aquela ideia de Siza, duas obras de Picasso: Guernica e a Mulher Grávida, um novo espaço para elas. Total liberdade, total gozo. Ele criou aquelas duas galerias quase suspensas na encosta. Uma recta ia dar à Guernica, começamos a adivinhá-la cá bem atrás, entre os postes que nos dão a ideia de que a altura vai aumentando. (e como é comovente este encontro com o quadro verdadeiro!) Outra curva aproxima-nos da Mulher Grávida mas só a encontramos no fim.
Depois veio a voz da guia, que não era nossa mas que ali encontrámos. Repetiu tudo aquilo e mesmo assim fiquei a ouvir. Liguei-me à obra. Mais ainda quando ela interpretou que sendo o quadro a morte e a escultura a vida, que a morte é certa e dela não podemos escapar. A linha recta. A vida, no entanto, não sabemos nunca o que nos reserva, o que virá. Daí aquela suave linha curva e no fim aquela barriga de futuro.



HaloScan.com