22.4.05
no rádio e à janela
Foi outra vez graças aos Sinais de Fernando Alves, ouvidos com uns dias de atraso, que pude descobrir a reacção de Arnaldo Jabor àquelas imagens tão marcantes de há uns dias, de João Paulo II à janela, tentando articular uma palavra à frente da multidão. Diz-nos Jabor num texto chamado "Eu não gostava de João Paulo II":

«Depois, o papa ficou doente, há dez anos. E eu olhava cruelmente seus tremores, sua corcova crescente e, sem compaixão nenhuma, pensava que o pontífice não queria "largar o osso" e ria, como um anti-Cristo.
Até que, nos últimos dias, João Paulo II chegou à janela do Vaticano, tentou falar... e num esgar dolorido, trágico, foi fotografado em close, com a boca aberta, desesperado. Essa foto é um marco, um símbolo forte, quase como as torres caindo em Nova Iorque. Parece um prenúncio do Juízo Final, um rosto do Apocalipse, a cara de nossa época. É aterrorizante ver o desespero do homem de Deus, do Infalível, do embaixador de Cristo. Naquele momento, Deus virou homem. E, subitamente, entendi alguma coisa maior que sempre me escapara: aquele rosto retorcido era o choro de uma criança, um rosto infantil em prantos! (...)
Sou ateu, sozinho, condenado a não ter fé, mas vi que se há alguma coisa de que precisamos hoje é de uma nova ética, de um pensamento transcendental, de uma espiritualidade perdida.
»

Fernando Alves prossegue com outra opinião não-crente sobre o Papa anterior. Régis Debray, republicano de esquerda e estudioso das religiões e da mediologia, que lembra a célebre frase de Alfred Loisy: "os cristãos esperavam o Reino de Deus e foi a Igreja que veio" e a aplica a outras circunstâncias menos sagradas...

O que dirão ambos do novo Papa daqui a uns anos? Como ficará conhecido aquele que entrou no vaticano com o epiteto de "Papa Panzer"? Ouçam lá os sinais e daqui a uns anos voltamos à conversa.



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