10.4.05
a ler
Ainda Guilherme d'Oliveira Martins sobre Jean Paul Sartre, Emmanuel Mounier e Raymond Aron: «(...) num triângulo inesperado, percebemos que o século XX encerrou muitas das contradições e complementaridades que os três intelectuais representaram. Raymond Aron chamou a atenção para a importância da complexidade das circunstâncias sociais e políticas, Jean-Paul Sartre invocou as contradições e os paradoxos da existência humana e Emmanuel Mounier pôs na ordem do dia a grandeza paradoxal e dramática da dignidade humana. Afinal, é indispensável ouvi-los a todos para tentar perceber onde estamos e para onde poderemos ir…»

Sobre o Papa João Paulo II muito se tem escrito:

Timothy Garton Ash explica porque é que «Pope John Paul II was the first world leader».

Ana Gomes curva-se, comovidamente: «Acompanhei com pesar e profundo respeito o sofrimento dos últimos tempos, o seu derradeiro assomo de carácter, de determinação, de fé. De uma Fé que eu não partilho. Mas na hora em que a morte o libertou do sofrimento, percebi tornar-se insignificante o que me separou e separa de uma parte das suas ideias e convicções - sobre direitos e capacidades de mulheres e homens na família e na sociedade, sobre o direito à vida, sobre direitos na morte.
João Paulo II morreu - é diante de um grande Homem, e da sua infinita e contagiante humanidade, que eu me curvo. Comovidamente.
»

Nuno Guerreiro lembra o bilhete deixado no Muro das Lamentações, onde se exprime o pedido de perdão da Igreja Católica aos seus "irmãos mais velhos na fé": «Deus dos nossos pais, que escolheste Abraão e os seus descendentes para trazer o Teu nome às nações: estamos profundamente tristes com o comportamento daqueles que, ao longo do curso da história, causaram sofrimento a estes teus filhos e, pedindo o teu perdão, manifestamos o desejo de nos comprometermos a uma irmandade genuína com o povo do convénio.»

E até no Barnabé se escreveu um elogio fúnebre a Karol Woytila, pela mão do Bruno Reis, com irritação q.b. do Daniel Oliveira: «Woytila foi grande, mas não escapou aos feitios e defeitos do seu percurso e da sua época. E se é ilusório pensar que no passado houve um idade de ouro em que os cristãos seguiam realmente os mandamentos das suas Igrejas, não o é menos pensar que com este papa tão popular, mas nem por isso menos contestado e surdamente desafiado, a Igreja Católica resolveu o seus problemas. Como dizia um dos 'santos' criados por ele, o nosso Frei Bartolomeu dos Mártires: 'a igreja está sempre a precisar de reformas!' Está sempre em crise, é esse o seu estado natural. Quem vier a seguir que faça melhor, se puder. João Paulo II ganhou amplamente o direito ao descanso.»

Um último recado do Filipe Alves deixado no Post Scriptum de um texto de há uns meses atrás e agora recuperado: «Às vezes fico com a impressão que certa esquerda "caviar" só ficaria satisfeita com João Paulo II se ele tivesse dito que Deus não existe!»

Para quem quiser seguir as andanças no Vaticano por estes dias, aconselho o blog de Rubén Amón, jornalista do "El Mundo". Pelas nossas terras, o "Público", pela pena do António Marujo, publicou um dossier excepcional disponível gratuitamente online: "João Paulo II, Papa por uma vida".



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