24.3.05
Quando a morte é um acto de amor

Rámon Sampedro

Há 20 anos atrás a minha avó teve uma trombose que lhe paralisou o lado esquerdo do corpo e levou para a cama. Sempre lúcida, a minha avó esteve três anos nesse terrível sofrimento até morrer. Por muito que gostássemos da minha avó, quando ela morreu sentimos todos que tinha sido uma libertação para ela. Por isso, não consigo conceber que uma pessoa esteja 30 anos agarrado a uma cama sem se poder mexer (como foi o caso de Rámon Sampedro) ou que seja mantida em estado vegetativo durante 15 anos (como acontece com Terri Schiavo). Acho que em situações de sofrimento extremo, sem qualquer qualidade de vida, a pessoa em causa deve ter o direito de decidir sobre a sua própria vida/morte. Ou quando ela não pode decidir, decidam por ela. Tanto no caso de Rámon Sampedro, ou de Terri Schiavo, quem de facto gosta deles são aqueles que os ajudam a morrer dignamente e a acabar com um sofrimento sem sentido. Também no caso dos doentes com cancro em estado terminal, o estado de sofrimento e de degradação é de tal forma grande, que mesmo os familiares só desejam que esse sofrimento acabe rapidamente, para que finalmente a pessoa descanse e fique em paz.
Clara Belo



imagem do filme Mar Adentro com Javier Bardem (Rámon Sampedro) e Belén Rueda (Julia): duas interpretações geniais.

Texto recebido no nosso e-mail enviado pela leitora e comentadora Clara Belo. Aproveitamos por desafiar os nossos leitores a que, sempre que tenham vontade, enviem textos vossos que publicaremos sempre que o entendermos (sem compromisso). Teremos todo o gosto em contar com os vossos pensamentos escritos.



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