3.3.05
o padre intolerante
O anúncio pago por um senhor padre, que foi publicado ontem no "Público" e noutros jornais teve bastantes reacções. Não era para menos, dado o teor do que aí é dito. Podem lê-lo no post anterior — o Zé Maria reproduziu aí as alarvidades do dito senhor.
O editorial de hoje, assinado por Nuno Pacheco é certeiro:
«Sem qualquer comparação com o caso actual, que apenas revela uma cega (e inaplicável, diga-se) intolerância, ditadores e terroristas vivem, sempre, até ao limite aquilo em que acreditam. Mentem por isso, matam por isso. E não consta que se arrependam. A Igreja católica, se quiser ser fiel à sua pregação humanista, não deveria pactuar com tais "clarividências". Até porque, coisa em que ninguém reparou, o anúncio não apela apenas "ao arrependimento" (coisa do domínio da consciência e da moral de cada um) mas, o que é mais espantoso, também à "ratractação pública" dos "pecadores".»
Interessante é também a referência inicial desse editorial, onde se refere que os bispos portugueses irão admoestar o tal padre, o que é desenvolvido nesta notícia: «O anúncio leva outros responsáveis da Igreja a defender que o padre Serras Pereira se imiscuiu numa matéria que não é da sua competência, enquanto outros comentam ser "profundamente errado" o que nele é dito.»
No technorati, encontrei cerca de 50 posts a bater na Igreja, à conta do tal energúmeno. Espero para ver quantos blogs citarão a atitude dos bispos. Um exemplo disso é a pergunta com que o Barnabé termina o seu post: "Onde está a igreja progressista? Ainda existe?". Parece-me que não precisa de resposta. Dos que estão tão atentos para fazer a crítica à Igreja, espero pelo menos tanta atenção às vozes qualificadas como a que foi dada a um senhor qualquer com tiques inquisitoriais.



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