10.3.05
Norte


Demónios interiores

Sentei à minha mesa os meus demónios interiores, falei-lhes com franqueza dos meus piores temores. Tratei-os com carinho, pus jarra de flores, abri o melhor vinho, trouxe amêndoas e licores. Chamei-os pelo nome, quebrei a etiqueta, matei-lhes a sede e a fome, dei-lhes cabo da dieta. Conheci bem cada um, pus de lado toda a farsa, abri a minha alma como se fosse um comparsa.
E no fim, já bem bebidos demos abraços fraternos; saíram de mansinho aos primeiros alvores, de copos bem erguidos brindámos aos infernos.Fizeram-se ao caminho sem mágoas nem rancores. "Adeus, foi um prazer!", disseram a cantar, mantém a mesa posta
porque havemos de voltar.

(Carlos Tê / Jorge Palma)


Chegam os leitores fartos das minhas taras à volta do Jorge Palma, alguns já satisfeitos pela minha desistência resistente em falar nele, olham para o blog confiantes e lá está ele de novo.
Pois é, voltei à carga com trejeitos de mauzinho remexendo na ferida: outro post sobre Jorge Palma. Violo o poema em prosa porque sim, sempre me soou mais a texto. É do Carlos Tê, esse endiabrado da escrita.

Buscando ao texto o vinho, tão sabedor na reunião de amizades, passo à analogia: aprende-se a gostar da música deste senhor Palma como do vinho tinto - tempero para uma boa refeição e criado sem sombra de dúvidas para parelha de um bom queijo - e enquanto o escuto bebo devagarinho.

O novo cd "Norte" embora já cá rode por casa há algum tempo entre a aparelhagem, o computador e o discman, como qualquer disco do Jorginho demorou o seu tempo, mas subtilmente, de mansinho, quase sem dar por ele ocupou o seu lugar ( um concerto no Olga Cadaval ajudou ao toque final ) e lá fui, felizmente, enganado outra vez; o disco tem-me feito companhia e da boa. Descaradamente diz-nos ele que completou o disco em cerca de 2 meses, mais coisa menos coisa...

Vá lá, deixem-se convencer, oiçam-no com tempo e calma para o deixarem entrar e ficar! A música que deixo é fabulosa em ritmo e jogo: adequa-se a mim aqui e agora.



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