3.3.05
não é da piada
Nuno de Sousa escreveu no Barnabé uma piada de gosto duvidoso sobre o estado de saúde do Papa. Como é habitual, o post gerou comentários avulsos, alguns justamente indignados, outros nem por isso. Face aos comentários resolveu acrescentar umas explicações a esse post. O problema não está na piada (que é fraca). O problema vem mais adiante:
«Acho que a exposição da debilidade física [do Papa] é, antes de mais, muitíssimo pouco digna. Pouco digna para ele, e miserável para a igreja católica. É só isto. O Papa que abandone o cargo e sofra a decrepitude e decadência do seu corpo longe dos olhares do mundo. É mais digno. Tem direito a isso.»
Dizer que o mais digno a fazer com quem sofre debilidades de saúde é escondê-los roça o fascismo. Não sou nenhum acérrimo defensor da continuidade do exercício de funções do João Paulo II até ao fim dos seus dias. Porém, o facto de uma comunidade com a dimensão da Igreja se recusar a descartar o seu símbolo máximo de unidade pela debilidade física, parece-me um gesto profundamente profético. E a verdade é que fez vir ao de cima essa ideologia que defende que o melhor a fazer com os velhos é escondê-los. Como disse e repito, roça o fascismo.
Mais tarde, o Rui Tavares escreveu que as reacções a esse post são fundamentalistas. Fica-lhe mal entrar no insulto, quando o assunto é mais sério do que a piada.



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