9.2.05
Terra de Campanha
Em tempos de campanha, os meus restantes companheiros me perdoem, mas destaco os textos do Miguel, do Carlos e do Timóteo, na última Terra da Alegria:

do Timóteo, que escreve a terceira parte do seu texto ideológico:
«Como mostra o exemplo dos países nórdicos, é possível ser-se extremamente competitivo com uma pesada carga fiscal. Parece que, por um lado, o efeito socialmente benéfico da solidariedade aumenta a eficácia e o rendimento das pessoas em sociedade e, por outro, a aposta noutras variáveis (educação, formação, capacidade de inovação, etc.) permite ultrapassar completamente a (na maioria das circunstâncias, falsa) oposição "justiça social/crescimento económico".
Mas, repito: mesmo que assim não fosse, a um cristão exige-se que coloque critérios sócio-económicos morais que sejam o prolongamento da sua Fé à frente de uma pretensamente neutra eficácia económica.
»

do CC sobre a moral dos que defendem essa eficácia pretensamente neutra:
«Tentar expurgar os "moralismos" de uma campanha eleitoral — e da política em geral — não é inocente. Corresponde a uma visão da política que se pretende neutra, pragmática e moderna, porque chegou já o fim da História. Mas, sob a capa da eficiência e da moderação, está também presente uma ideologia. E uma moral. Ambas perigosas.»

do Miguel, sobre a homilia do Pároco de São João de Brito:
«O apelo do senhor padre lisboeta é um apelo habitual, quase farisaico — o de quem olha para a maçã e prefere sempre o lado mais lustroso, porque tem medo de trincar a parte mais pisada. Pede-se que não se vote naqueles que atacam a vida. Por uma vez, gostava de ouvir alguém gritar o mesmo — mas contra o ataque à vida que é a pobreza e a miséria. Por uma vez, gostava que a moral sexual ou questões que remetem para a consciência individual e familiar dos cristãos (corrijo: de todos os portugueses), fossem conscientemente debatidas no interior da Igreja, sem a demagogia dos assassinos (por oposição ao absurdo radical da barriga que é minha). Lamento: mas a eutanásia ou o aborto, sendo questões importantes, não o são as mais fundamentais para os portugueses.»

Permito-me só acrescentar (ou destacar) a falta de noção que parece percorrer parte da nossa Igreja de que a moral social é tão ou mais importante que a moral pessoal. Faz-me lembrar aqueles padres que discutiam se deviam ou não permitir a comunhão a pessoas divorciadas. Um amigo meu perguntou se aceitavam dar a comunhão a quem fugia aos impostos. A resposta foi: "em política não nos metemos" — como se o pecado social tivesse um estatuto subalterno do pecado pessoal.



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