5.2.05
Em quem votarão vocês?


Numa sondagem que vou fazendo entre amigos e conhecidos é incrível a quantidade de gente que não sabe em que votar, e obviamente que não é por excesso de qualidade dos partidos a eleições! Indecisos, normalmente, entre os partidos de esquerda, poucos têm certezas...

A CDU parece ter conseguido ganhar novo entusiasmo com a entrada de Jerónimo de Sousa e seu optimismo. A verdade é que nunca é "preferida" e protagonista entre a comunicação social e funciona sempre como "comentador político" (aliás como os outros 3 partidos mais pequenos) contra PS e BE, ainda mais que contra a direita. Na entrevista de hoje à noite com a Judite de Sousa na RTP Jerónimo de Sousa pareceu-me sem sombra de dúvida um candidato a ter em conta pela sua frontalidade, franqueza e, principalmente, pelo conhecimento de causa do país e das matérias em debate.
O PCP é um partido demasiado pesado e fechado sobre si mesmo, mas com mais cor do que tinha com Carvalhas. Nas autarquias locais não há dúvida que fazem bom trabalho (sublinhe-se a palavra "trabalho"), é importante que tenham força no Parlamento.

O BE é já apontado como possível 3º partido à frente do PP e da CDU, é o partido da moda, a que Jerónimo de Sousa chamou de "mimado" pela comunicação social, e muito aclamado entre os jovens. A campanha que tem feito tem dado menos nas vistas que em eleições anteriores, e os cartazes perderam em criatividade e ideias. Abusam da imagem de Louçã, e de um bloco central com 3/4 pessoas que aparecem em todas (Luís Fazenda, Miguel Portas, Fernando Rosas, Ana Drago e, agora, Daniel Oliveira) e fora de Lisboa e Porto não valerá muito a pena votar neles. Não sei se será um partido plural ou com muitas vozes que nunca chegaram a discussão interna profunda e séria. A oposição que fizeram à direita de Durão, Santana e Portas foi a melhor conseguida das esquerdas. A força entre a classe média e a população urbana cresce e obriga a que tenham cada vez maior exigência, pelo menos assim se espera.

O PS tinha tudo para neste momento ter a maioria absoluta já assegurada após os consecutivos tiros no pé (deles e no nosso) desde Durão a Santana, com maior qualidade na asneira deste último (o que na altura parecia difícil...). Sócrates tem, no entanto, pautado a campanha pelo politicamente correcto e o não levantar ondas. No debate com Santana, Sócrates saiu vencedor, vencedor de um debate sem brilho. Parece não ter nada de novo para trazer ao debate e forma de fazer política; sem promessas e pragmático assim se apresenta. Era caricato perceber que, a certa altura, era Sócrates que era acusado do "pântano guterrista" e da situação do país; após o "lamaçal da direita" nos últimos tempos: estes 4 meses santanete foram possivelmente os ventos e marés mais fortes que tivemos desde que temos democracia em Portugal. Sócrates está assim com o trunfo de Santana estar em ruínas mas não tem tido muito mais que isso. Neste momento, pelo que tem feito, não me parece que esteja em condições de pedir maiorias absolutas.

O PP tem em Paulo Portas o dirigente mais novo mas com mais anos à frente do partido. Quer gostemos, quer não, Paulo Portas é muito inteligente e tem tido muita força nesta campanha, os cartazes do PP são, na minha opinião os melhores conseguidos e a forma como se distanciou do que foi mau na governação, e associou a si a credibilidade e seriedade que o PSD não teve tem sido muito bem conseguida. É preciso cuidado com estes gajos!

A FALTA DE NEGOCIAÇÃO À ESQUERDA começa a ser preocupante, já era altura de haver possibilidade e vontade de se sentarem à mesa. Nesta altura, as estruturas dos dois principais partidos portugueses estão viciadas (no que as juventudes são claros exemplos - como exemplo, os cartazes "péssimos" da JSD), com cada vez menos "auscultar" das populações, sem seriedades e sem candidatos que nos levem a votar por convicção: votamos para “livrar”. É por isso importante que os 3 partidos mais pequenos cresçam e equilibrem a balança (mesmo se o PP me assusta nesse crescimento): a necessidade de negociação das propostas com os partidos mais pequenos para aprovação seria uma mais valia. Uma maioria absoluta do PS seria apostar e dar crédito a quem já foram dadas todas as oportunidades... falhadas.

Por fim, as ofensas de ordem pessoal não tinham sido até aqui arma utilizada em campanhas anteriores, até nisso a política se tem descredibilizado. Já era mau quando usavam a figura do bom pai de família.

EM QUEM VOTARÃO VOCÊS? - Faço esta pequena reflexão com inclinações claras mas com necessidade de opiniões diferentes que me ajudem a votar bem.



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