8.2.05
Bem vindo à Holanda


"Frequentemente sou solicitada a descrever a experiência de dar à luz uma criança com deficiência - uma tentativa de ajudar as pessoas que não têm com quem partilhar essa experiência única, a entendê-la a imaginar como vivenciá-la.

Seria como...
Ter um bebé é como planear uma fabulosa viagem de férias - para a ITÁLIA! Compramos montes de guias e fazemos planos maravilhosos! O Coliseu. O David de Miguel Ângelo. As gôndolas em Veneza. Podemos até aprender algumas frases simples em italiano. É tudo muito excitante.
Após meses de antecipação, finalmente, chega o grande dia! Arrumamos as nossas malas e embarcamos. Algumas horas depois aterramos. O Comissário de bordo chega e diz: Bem-vindo à Holanda.
Holanda!?! Diz você, o que quer dizer com Holanda? Eu escolhi a Itália! Devia ter chegado à Itália. Toda a minha vida sonhei conhecer a Itália. Mas houve uma mudança de plano de voo. Aterrámos na Holanda e é lá que você deve ficar. A coisa mais importante é que eles não te levaram a um lugar horrível, desagradável, cheia de pestilência, fome e doença. É apenas um lugar diferente. Logo, você deve sair e comprar novo guias. Deve aprender uma nova linguagem. E você irá encontrar todo um novo grupo de pessoas que nunca encontrou antes.

É apenas um lugar diferente. É mais baixo e menos ensolarado que a Itália. Mas, após alguns minutos, você pode respirar fundo e olhar em redor... e começar a notar que a Holanda tem moinhos de vento, tulipas e até Rembrants e Van Goghs.
Mas, todas as pessoas que conhecemos, estão a viajar para Itália... e estão sempres a comentar sobre o tempo maravilhoso que passam lá. E durante a sua vida, você dirá: Sim, lá era onde eu deveria estar. Era tudo o que eu tinha planeado.
E a dor que isso causa, nunca, nunca, nunca se irá embora... porque a perda desse sonho é uma perda significativa.

Porém... se você passar a sua vida toda, remoendo o facto de não ter ido a Itália, nunca estará livre para apreciar as coisas belas e muito especiais... sobre a Holanda."

Emily Perl Kmisley

(homepage da Cerebral Palsy Association of Western Austrália Ltd. Adaptado da tradução de Mónica Ávila de Carvalho, Mãe de Manuela em Cambuqeira, Minas Gerais, Brasil)


Dirão vocês que pode ser uma visão delicodoce de educar uma criança deficiente ou pelo menos uma atenuante adornada para educações que são muitas vezes duríssimas para os pais.
Acho que o texto pode ser alargado a outras questões/situações...
Já algumas vezes falei em optimismo aqui, e optimismo é isto: uma forma de ver o mundo. Uma amiga minha e aqui do blog costuma dizer "é preciso estarmos atentos para a alegria"



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