5.1.05
pobreza e solidão
Num comentário ao texto "Sentir a dor dos pobres" da Comunidade João XXIII (meia dúzia de posts mais abaixo), o Gabriel diz a certa altura:

"As crianças são encaradas como o futuro de quem se espera muito mas dos idosos já não se espera nada e na lógica comercial que preside aos relacionamentos, quem nada tem para dar de palpável, de material, nada obtém."

É um diagnóstico triste, mas verdadeiro. Em Coimbra, algumas das situações de pobreza mais gritantes estão bem no centro da cidade, na Baixa, alguns pisos acima das lojas onde todos fazem compras, naqueles prédios que ninguém vê, nas ruelas mais escondidas. Aí moram idosos, muitas vezes sozinhos, vivendo da solidariedade dos vizinhos, de algum familiar que aparece nos intervalos do trabalho ou de alguma instituição. Quem já lá foi descreve sempre a mesma coisa: gente a viver em condições vergonhosas. Essa gente não se queixa das condições — habituaram-se a elas. Queixam-se sim da falta de companhia. Apesar de estarem bem no centro da cidade, não deixam de ser uma periferia, de estar à margem.




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