8.1.05
O mundo numa só cidade
Chegou o dia 28 de Dezembro e a ansiedade da chegada dos jovens de Taizé que iríamos acolher chegou a minha casa. Depois do almoço telefonaram da paróquia a pedir que fossemos buscar duas meninas polacas que tinham chegado à Igreja. Lá as encontrei, sorrisos abertos, caras cansadas, tinham saído de casa dia 25 e ansiavam por um duche e uma bebida quentinha.
Passámos o resto do dia à espera que chegassem os outros dois jovens que tínhamos aceitado acolher, mas nunca apareceram... parece que os portugueses se entusiasmaram e todos disponibilizaram as suas casas para acolher estes jovens de terras distantes de tal maneira que chegaram a sobrar vagas para os 40.000 jovens que passaram o ano em Lisboa.

Pouco tempo passaram as polacas cá em casa, tinham o encontro para participar e sobretudo a cidade por conhecer. Chegavam à noitinha para dormir cansaditas mas de rostos contentes contando as mil voltas que tinham dado neste país de sol e mar. De manhã antes das 8h30 já estavam a caminho da Igreja para a oração da manhã.

Foi uma boa forma de acabar 2004, apesar de todas as tragédias, pobreza e sofrimento pelo mundo fora, foi um ano em que o português fez e deu ao estranho aquilo do que sabe melhor: ACOLHER. E este acolher não é só abrir a fronteria da nossa terra e a porta da nossa casa, o acolher à portuguesa é mostrar o que é nosso com orgulho e principalmente querer saber do mundo do estrangeiro e partilhar com ele a alegria da vida.

O acolhimento em casa foi uma boa experiência mas esta partilha talvez tenha sido mais efectiva nas orações na FIL onde os portugueses se misturaram com os jovens do encontro. A verdade é que estes jovens chegavam à cidade com as suas enormes malas, os seus sorrisos abertos, um inglês meio arranhado e nem os mais distraídos puderam ficar indeferentes. Por necessidade ou por simples curiosidade muitos foram os que se deslocaram aos pavilhões I e II da FIL às 13h15 e às 19h30 todos esses dias até dia 31 para participar na oração comunitária. E de quem ía só se ouvia dizer "gostei muito!", "surpreendente!", "muito bonito!", foram espaços de paz, harmonia que não sendo perfeitos fizeram cada um sentir-se integrado e acolhido num mundo tão grande.



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