14.1.05
Espalhar sorrisos
Muitas vezes falamos que nos cruzamos na rua com gente mal humorada, que se queixa de estarmos a tentar roubar-lhes o lugar na fila do autocarro; é a falta de educação, de civismo, de entreajuda a que se assite nas grandes cidades... Todos se queixam muito deste ambiente, mas participam e desempenham nele perfeitamente o seu papel, como monte de gente indeferente aos que os rodeiam.
Um dia em que me sentia de bem com a vida, façam vocês também esta experiência, decidi numa atitude altruísta e um pouco inspirada pelas chain letters que nos bombardeiam, espalhar sorrisos por todos com quem me cruzasse. Toma-se uma atenção especial aos rostos dos outros e às sensações que podem transmitir, é engraçado.
Mas algo se repetiu e quase me fez desistir de partilhar a minha alegria com as pessoas desconhecidas: o meu sorriso não era, por vezes, entendido como partilha mas como uma intromissão nas suas vidas, uma atitude de gozo, que recebia em troca uma cara muito mais preocupada e carrancuda que antes. Ficava então com a sensação que só tinha provocado o efeito contrário daquilo que queria...
Será que o anonimato que assumimos nas cidades grandes, a desconfiança e o medo que temos em relação a tudo e todos nos vai tornar avesos à felicidade? Será que já não estamos disponíveis para aproveitar o que de bom encontramos?
Não me parece que assim seja, são apenas mudanças que têm de ser vividas. A cidade é feita de pessoas e sabemos que com motivação podemos construir o tipo de cidade que queremos.
Por isso digo que quase desisti, pois é preciso continuar a espalhar sorrisos e principalmente descobrir formas criativas de o fazer.



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