10.1.05
Deus e o tsunami
Deve estar a aparecer a edição de hoje da Terra da Alegria. "Deus e o tsunami" é o título da minha colaboração. Também o Frei Bento Domingues escreve hoje sobre isso, noutro blog de pequena tiragem ("Público"):

«Alexandra Prado Coelho falou com crentes de cinco religiões acerca da tragédia da Ásia. Nenhum dos interrogados atribuiu o maremoto a um castigo divino (cf. PÚBLICO, 5/1/2005).
Ainda bem. O silêncio e a solidariedade, perante uma catástrofe de tal dimensão, são as únicas atitudes que respeitam a transcendência de Deus e a dignidade dos seres humanos.
Até há poucos anos, os mestres do egoísmo, solidamente instalados numa confortável apologia da finitude, defendiam que gozar a vida no máximo dos seus prazeres era o único sentido que a existência humana podia ter. Para este culto da finitude bem sucedida bastava a imersão na corrente da vida de uma natureza generosa. Qualquer alusão a um mundo de infelicidade ou a sinais do sagrado, a interrogações de pendor metafísico ou religioso eram restos de superstições condenadas a desaparecer.
Acontecimentos inesperados obrigam-nos a parar e a escutar a voz do silêncio. É preciso ir mais longe e mais fundo do que as solidariedades pontuais, por mais urgentes e indispensáveis que elas sejam. A catástrofe não foi um castigo de Deus, mas pode ter sido o castigo da falta de preparação e equipamentos para escutar os sinais da natureza (cf. Costas Synolakis, PÚBLICO, 2/1/2005).
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