17.1.05
BRADO LIBERDADE
Naquele ecrã gigante duas personagens se foram criando. Uma de total bestialidade. Outra de sincera ternura.
Uma personagem bem desengonçada, na beleza do desequilíbrio entre a coragem e o correr a sete pés.
Essa personagem surgiu no fim quase pedindo desculpa mas, depressa o seu embaraço se tornou vendaval, se tornou revolução apaixonada. Na audiência tudo se calou e os corações aceleraram.
Charles Chaplin é um argumentista e actor genial. Foi o meu primeiro encontro no grande ecrã e não fazia ideia do que andava a perder!


o grande ditador

«Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar - se possível - judeus, o gentio... negros... brancos.(...)

Porque havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. (...) Criámos a época da velocidade, mas sentimo-nos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos cépticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. MAIS DO QUE DE MÁQUINAS, PRECISAMOS DE HUMANIDADE. MAIS DO QUE DE INTELIGÊNCIA, PRECISAMOS DE AFEIÇÃO E DOÇURA. (...)

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem - não de um só homem ou grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto - em nome da democracia - usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores libertam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!
»

Charles Chaplin



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