2.12.04
Santana Flopes para o Túnel do Marquês
Volta-se a discutir por entre a blogosfera e a portugosfera a decisão tomada por Sampaio há 4 meses atrás de ter consentido a continuidade do PSD para governar o nosso país. Hoje, uns defendem que a decisão de dissolução da Assembleia de ontem foi um alívio mas que já veio tarde, outros que a decisão da dissolução da Assembleia de ontem foi um alívio em tempo certo.

Na práctica parece-me que a melhor decisão para o país teria sido eleições há 4 meses atrás, escusando-nos a termos aturado o período mais negro do governo democrático em Portugal. Isto porque conhecendo as asneiras e a forma de (não) pensar do menino Pedrinho me parecia óbvio que isso seria péssimo para o país.
No entanto, não votamos em primeiros ministros e Sampaio não podia fazer uma escolha pessoal avaliando de alto a baixo Pedro Santana Lopes e fazendo um "hmmm, acho que não tem condições para primeiro ministro!" Isso seria um dos argumentos a favor da decisão de Sampaio mas o mais forte para mim é que em termos de respeito pelo voto, e implícita responsabilidade para cada um dos votantes, acho que a decisão foi justa. E que os resultados prácticos e imediatos são um "atestado de incompetência" passado pelos portugueses em geral ao Sr. Lopes e suas vaidades, imbecilidades e outras -dades deste género. Serviu para provar o que sabiam alguns acerca da incompetência de Santana Lopes do Sporting, da Figueira, de Lisboa, a (quase) todos no país. Valerá isso a desgraça que por aqui passou? Talvez não, mas de antemão Sampaio não podia assumir que seria uma desgraça sendo que a democracia defende que qualquer cidadão, qualquer um de nós, pode ser primeiro ministro. Respeito pelo voto seria ter feito novas eleições dirão alguns, defendo a isso que a maioria que votou no PSD e elegeu Durão Barroso deve responsabilizar-se pelo que votou mesmo que isso seja um pesadelo para todos os que não votaram. Democracia é isso.

Agora já se começam a limpar as armas dos dois lados. Já se começa a sentir a campanha. Um PSD que ainda não se sabe se se credibiliza com uma saída de Santana Lopes, ou se perde as eleições com Santana a querer continuar agarrado ao poder sem perceber que não tem saída política, e que precisa de uma retirada de cena como Cavaco e Guterres o fizeram para voltarem agora "em estado de culto". Um CDS a quem lhe tiram o poder mas que acaba por ganhar eleitorado se o PSD continuar desfeito e que já pisca o olho aos dois lados porque os lugares do poder lhe são queridos, muito queridos!
Uma esquerda PS (será esquerda? - é outro dos debates que se ouvem) em regozijo com a caída do governo de Santana a preparar-se para fazer governo, mas sem grande confiança em Sócrates. Outra esquerda mais pequena de PCP e BE em regozijo com a caída do governo de Santana, que acredita que dois candidatos fracos na bipolarização do costume servem o crescimento do seu eleitorado. Quem se seguirá? Estou curioso com as saídas do PSD: Santana Lopes? Marcelo Rebelo de Sousa? Cavaco Silva? Marques Mendes?

Uma grande perca tivemos na decisão do Presidente Jorge: o manancial de humor reduz-se significativamente. Certo é que ninguém vai ter saudades!



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