27.12.04
O circo do Futuro


O Nouveau Cirque tem criado, um estatuto inquestionável de espectáculo de qualidade, principalmente, pelas novas companhias Francesas; ameaçando tornar-se "o circo do futuro", ou melhor, sendo já no presente um verdadeiro circo do futuro.

"O movimento do «novo circo», uma fusão das artes circenses com outras artes do espectáculo, pretende captar um novo tipo de público e tem dado lugar a uma profusão de novas companhias de circo por todo o mundo. A mais conhecida e pioneira neste tipo de espectáculo é o Cirque du Soleil, mas podemos mencionar outras como o Zingaro, o Cirque Paradi, o Cirque Plume, o Cirque d'Image, o Anchoos, o Circo de Oz, o Big Apple Circus."*

Do que tenho acompanhado e lido há 3 diferenças principais entre o circo "tradicional" (que todos nós conhecemos de uma forma ou de outra) e o "novo" circo (que apesar de já ter alguns anos só agora começa a despontar e a brilhar): o novo circo pretende a integração de diferentes artes do espectáculo pretendo tornar-se aberto à dança, ao teatro, à música, ao cinema, pretendendo cruzar as diferentes artes num espectáculo único em que o limite é a criatividade; o novo circo pretende que os talentos e técnicas circenses não sejam uma simples mostra desses talentos para o aplauso, mas que estejam assentes numa história/estória tornada espectáculo com um sentido e objectivos para além do entretenimento; o novo circo não envolve animais.

O novo circo pretende retirar do "circo tradicional" todo um ambiente característíco de alegria e misticismo de "família" que é próprio do conceito de "circo; mas que tem perdido qualidade e capacidade com a pobreza e difícil continuidade das companhias de circo (como o Chen, o Cardinalli, ou o Atlas, para citar as maiores portuguesas), principalmente, por falta de público. É também pelas dificuldades que as companhias de circo têm neste momento que no novo circo "muitos dos seus artistas são provenientes de antigas famílias de circo, outras da escola da extinta União Soviética"* mas também "das escolas de dança, música e teatro em todo o mundo."* numa abertura aos artistas que a componente "familiar" do "antigo circo" não permitia.

Este movimento artístico vive obviamente com meios e capitais bastante acima dos praticados entre as companhias de circo falidas e com origem num universo social totalmente distinto das caravanas de circo com a vida itinerante que tanta magia e paixão desperta. É um fenómeno interessante de ver brotar, aconselho vivamente a que assistam a um espectáculo desta natureza, dificilmente não vão ficar de boca aberta; mesmo quem não gosta de circo pode ter a certeza que vai ficar muito provavelmente aficcionado.

O Cirque Plume esteve em Lisboa no CCB até ao passado dia 23 com o seu espectáculo Plic Ploc, espectáculo assente no tema da água e das gotas: deixam-nos de água na boca. Deslumbrante a forma como nos cativam desde o primeiro ao último momento em jogos de luzes, muita música, muito humor!

Senhoras e Senhores, Meninos e Meninas o Circo chegou à cidade!

*(Os circos não existem, Joana Afonso em 2002)



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