28.12.04
Receita de ano novo
(Carlos Drummond de Andrade)

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

27.12.04
O circo do Futuro


O Nouveau Cirque tem criado, um estatuto inquestionável de espectáculo de qualidade, principalmente, pelas novas companhias Francesas; ameaçando tornar-se "o circo do futuro", ou melhor, sendo já no presente um verdadeiro circo do futuro.

"O movimento do «novo circo», uma fusão das artes circenses com outras artes do espectáculo, pretende captar um novo tipo de público e tem dado lugar a uma profusão de novas companhias de circo por todo o mundo. A mais conhecida e pioneira neste tipo de espectáculo é o Cirque du Soleil, mas podemos mencionar outras como o Zingaro, o Cirque Paradi, o Cirque Plume, o Cirque d'Image, o Anchoos, o Circo de Oz, o Big Apple Circus."*

Do que tenho acompanhado e lido há 3 diferenças principais entre o circo "tradicional" (que todos nós conhecemos de uma forma ou de outra) e o "novo" circo (que apesar de já ter alguns anos só agora começa a despontar e a brilhar): o novo circo pretende a integração de diferentes artes do espectáculo pretendo tornar-se aberto à dança, ao teatro, à música, ao cinema, pretendendo cruzar as diferentes artes num espectáculo único em que o limite é a criatividade; o novo circo pretende que os talentos e técnicas circenses não sejam uma simples mostra desses talentos para o aplauso, mas que estejam assentes numa história/estória tornada espectáculo com um sentido e objectivos para além do entretenimento; o novo circo não envolve animais.

O novo circo pretende retirar do "circo tradicional" todo um ambiente característíco de alegria e misticismo de "família" que é próprio do conceito de "circo; mas que tem perdido qualidade e capacidade com a pobreza e difícil continuidade das companhias de circo (como o Chen, o Cardinalli, ou o Atlas, para citar as maiores portuguesas), principalmente, por falta de público. É também pelas dificuldades que as companhias de circo têm neste momento que no novo circo "muitos dos seus artistas são provenientes de antigas famílias de circo, outras da escola da extinta União Soviética"* mas também "das escolas de dança, música e teatro em todo o mundo."* numa abertura aos artistas que a componente "familiar" do "antigo circo" não permitia.

Este movimento artístico vive obviamente com meios e capitais bastante acima dos praticados entre as companhias de circo falidas e com origem num universo social totalmente distinto das caravanas de circo com a vida itinerante que tanta magia e paixão desperta. É um fenómeno interessante de ver brotar, aconselho vivamente a que assistam a um espectáculo desta natureza, dificilmente não vão ficar de boca aberta; mesmo quem não gosta de circo pode ter a certeza que vai ficar muito provavelmente aficcionado.

O Cirque Plume esteve em Lisboa no CCB até ao passado dia 23 com o seu espectáculo Plic Ploc, espectáculo assente no tema da água e das gotas: deixam-nos de água na boca. Deslumbrante a forma como nos cativam desde o primeiro ao último momento em jogos de luzes, muita música, muito humor!

Senhoras e Senhores, Meninos e Meninas o Circo chegou à cidade!

*(Os circos não existem, Joana Afonso em 2002)

20.12.04
Sentir a dor dos pobres
(texto publicado nos jornais diários conimbricences e na Terra da Alegria de hoje, da autoria da Comunidade de Acolhimento João XXIII)

“Pobres, sempre os tereis convosco” (Jo 12, 8). Quem disse isto, há 2000 anos atrás, sabia do que falava. Jesus Cristo conhecia demasiado bem o coração humano para arriscar a frase. No entanto, Jesus não disse que a pobreza era uma inevitabilidade. Bastaria que fosse diferente o tal coração humano.
Hoje, mais do que nunca, a pobreza não tem razão de ser. Nunca o mundo esteve mais capaz de combater a que existe, nem mais apto a prevenir a que há-de vir. Por isso, só a distracção comodista evita que nos interroguemos com João Paulo II: “Como é possível que ainda haja, no nosso tempo, quem morra de fome, quem esteja condenado ao analfabetismo, quem viva privado dos cuidados médicos mais elementares, quem não tenha uma casa onde abrigar-se? (NMI 50). Apesar da riqueza disponível, talvez estejamos no tempo da História que mais pobres gera. E todos sabemos como se fabrica a pobreza.
Coimbra. Esta cidade que se quer culta, esta cidade de classe média, farta e segura, razões tem, de sobra, para saber eliminar a pobreza. Coimbra, doa a quem doer, não só tem muitos pobres, como os esconde, decididamente.
Fazendo justiça a todas aquelas e a todos aqueles que, na Igreja e fora dela, dedicam as suas vidas ao serviço dos pobres, não podemos deixar de nos interrogar. 40.000 crianças vivem, em Portugal, na mais extrema das pobrezas. Quantas dessas crianças moram em Coimbra? A resposta é: não sabemos. A cidade tem várias dezenas de sem-abrigo. Quantos são? Não sabemos. Não sabem os técnicos que com eles trabalham. Não há estudos globais, nem estatísticas comparadas, nem trabalho coordenado. Há tentativas, pequenos passos e muita vontade de acertar por parte dos poucos samaritanos que se dispõem a parar nas margens da cidade. O certo é que Coimbra vive como se os seus pobres não existissem. Quando não os pode encurralar em guettos físicos – o Ingote, a Rosa – empurra-os para guettos simbólicos, escondendo-os e escondendo-se deles, fingindo que os vapores do perfume, a roupa de marca e os sorrisos de plástico para a imprensa cor-de-rosa hão-de apagar o cheiro, a imagem e a dor dos imigrantes sem papéis, dos velhos sem dinheiro, sem companhia e sem saúde, dos ciganos olhados de soslaio, ou dos sem-abrigo-e-sem-horizontes.
E os cristãos de Coimbra sabem? Não, não sabemos. Descansamos as nossas vagas inquietações nos ombros dos Vicentinos, dos Grupos Sócio-Caritativos, das Criaditas dos Pobres. Os miseráveis mais problemáticos entregamo-los à Caritas, à Abraço, à AMI, etc, etc. Os mais perigosos estão bem entregues aos técnicos e às polícias (porque, para o nosso olhar normal, ser toxicodependente, prostituta ou portador de SIDA não é fruto da pobreza, é CULPA!).
Deste modo descansa o Povo de Deus. Assim dorme em paz, como se não fosse “chegada a hora de despertar porque a salvação está mais próxima” (Rom 13, 11). Assim celebra, pacificado, a Eucaristia Dominical. Assim atravessa o Advento, ignorando o apelo à conversão que João Baptista continua a clamar no deserto: ”Preparai os caminhos do Senhor” (Lc 3, 4). Assim se comove com o Natal do Menino Deus, que veio para que “todos tivessem a vida e a tivessem em abundância” (Jo 10, 10). Assim se aproxima da Páscoa. Assim percorre o ano todo, vibrando, aqui e além, com uma desgraça ou outra, acontecida longe, no mundo.
É porque somos uma Comunidade Cristã que nos dói mais esta realidade. Porque fazemos parte desta doce inoperância, desta confortável demissão. Não desconhecemos, contudo, os limites do problema. Sabemos que a resolução do mesmo não se confina ao adro das Igrejas, nem ao íntimo das consciências.
Com o mesmo vigor denunciamos a sociedade civil, aquela que se baba nas páginas de jet-set das nossas revistas e jornais, aquela outra que “apenas” cuida de si e dos seus, nunca se dignando baixar os olhos para a pobreza que resta. Esta sociedade civil confortada e próspera, em Coimbra e no resto do país, é o terreno em que germina o pecado da recusa em aceitar todo o outro como pessoa e da negação do bem comum, materializado na fuga aos impostos, na exploração do trabalho precário ou na mercantilização da natureza e dos seus dons.
Todos nós, uns e outros, crentes ou não, somos responsáveis pelas lágrimas dos pobres. Nas nossas mãos está o poder de mudar o rumo das coisas, o poder de corrigir as iniquidades do sistema económico que consentimos, as injustiças da Sociedade que construímos. Só que nada faremos enquanto andarmos distraídos com orações egoístas, com Natais comerciais, com cristianismos teóricos, com evangelhos de papel.
O contributo desta Comunidade, aflita com as suas próprias contradições, vai no sentido de ajudar a reflectir o sentido profundo do Natal: a partilha de humanidade que Deus quis fazer, tornando-se pessoa, pobre entre os pobres.

14.12.04
UM ACHADO
Sou um gajo com sorte. Sei que todas as superstições dizem que não devemos afirmar estas coisas assim porque a sorte vai-se. Mas resolvi confiar nela, e repito: Sou um gajo com sorte! Para provar o que digo, aqui vai.

Encontrei o local onde agora estou a estagiar em Junho deste ano quando já estava meio angustiado por não saber para onde me poderia virar. Entre várias conversas com “informadores qualificados” (como se diz nas academices) uma delas foi essencial. Não conhecia o Professor Roque Amaro se não de uma conferência que tinha ouvido há algum tempo lá para os lados do Rato e de que tinha vindo francamente fascinado. Decidi ir falar com ele para desfazer neblinas, mas ia algo receoso e após uma noite de farra e consequente ressaca. O Professor pôs-me desde o início à vontade no seu trato fácil e humilde. Expliquei-lhe a minha situação, alguns gostos, expectativas e dúvidas; de onde tinha vindo e para onde tinha pensado poder ir. Depois de me ouvir, fez-me duas ou três perguntas rápidas que me ajudaram a pensar e saiu-se com algumas propostas dentro das coordenadas que lhe tinha dado: Educação pela Arte, Animação Cultural, Desenvolvimento Comunitário, Trabalho com jovens e crianças. Marcou-me, em seguida, e por telemóvel, uma conversa na Junta de Freguesia de Carnide com a Professora Teresa Martins, Professora de Animação Cultural e Vogal da Junta para a Educação para as 15h desse mesmo dia.

A Professora Teresa recebeu-me nessa mesma tarde na salinha do rádio (um mistério na Junta, há uma sala, de passagem, onde está sempre um rádio ligado sozinho) onde lhe expliquei do que andava à procura. Ela mostrou pronta disponibilidade por parte da Junta em me receber enquanto estagiário, explicando-me que faz parte da maneira de estar da Junta receberem estagiários (neste momento somos cerca de 12 estagiários: de serviço social, psicologia, animação cultural). Disse-me que eu podia, possivelmente, inserir-me em dois projectos: acompanhar o desenvolvimento de uma Associação Circense com protocolo com a Junta de Freguesia chamada “A Tenda” e acompanhar o projecto “Arte em Stock – Expressões Integradas”. Assim foi e em Outubro comecei a estagiar.

Desde aí tenho descoberto/destapado devagarinho um mundo fantástico num conjunto de surpresas que associo ao poema abaixo. A Técnica Mónica Diógenes, licenciada em Serviço Social e responsável pelo Pelouro da Educação, tem acompanhado o meu trabalho na Junta sempre com paciência e boa disposição. Dei-lhe o apelido carinhoso de "chefe" ou "patroa". Foi ela que desde início me recebeu e apresentou a todos os funcionários da Junta, que me apresentou a freguesia, suas fragilidades e confianças, suas crianças no Halloween e seus velhotes a assistirem ao Fungágá da Bicharada.

Carnide fica nas costas do Centro Comercial Colombo e vai até ao Concelho de Odivelas, de um dos lados tem a Pontinha e do outro ainda apanha uma parte de Telheiras. É afamada pelo Colégio Militar e pela Casa do Artista, mas desconhecida para grande parte dos lisboetas. Carnide tem uma população difícil com disparidades muito grandes na população: gente muito nova e muito velha, gente de classe média/alta e muito pobre, gente licenciada e gente analfabeta; e com dois bairros sociais com bastante dificuldades, o Bº Padre Cruz (o Bº Social com mais gente de Portugal) e o Bº da Horta Nova; teve ainda e até bem pouco tempo a comunidade cigana do Vale do Forno.

Dentro destas dificuldade o elogio à equipa de trabalho da Junta é ainda maior. A forma apaixonada de trabalhar da equipa da Junta de Freguesia (CDU) é apaixonante! Fazem com um orçamento de Junta de Freguesia um trabalho de Câmara Municipal. Têm um quadro de gente muito jovem e dinâmica. É, muito provavelmente, neste momento, a instituição pública que mais gasta em termos de orçamento para a Educação (cerca de 23%, se não me engano) e isto com uma política que vem sendo seguida desde há 22 anos para cá. É a única autarquia que está a conceber o seu orçamento de forma participativa à moda de Porto Alegre no Brasil: com reuniões para perceber onde é que os seus habitantes querem que o orçamento seja utilizado, quais as prioridades da Freguesia. Carnide tem sido para mim um verdadeiro Achado, onde ando deslumbrado.


Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.
Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos.

(Sebastião da Gama)

Berimbau
(Vinícius de Moraes)

Quem é homem de bem não trai
O amor que lhe quer seu bem
Quem diz muito que vai, não vai
Assim como não vai, não vem
Quem de dentro de si não sai
Vai morrer sem amar ninguém
O dinheiro de quem não dá
É o trabalho de quem não tem
Capoeira que é bom não cai
Mas se um dia ele cai, cai bem

Capoeira me mandou dizer que já chegou
Chegou para lutar
Berimbau me confirmou vai ter briga de amor
Tristeza, camará

Se não tivesse o amor (Se não tivesse o amor)
Se não tivesse essa dor (Se não tivesse essa dor)
E se não tivesse sofrer (E se não tivesse sofrer)
E se não tivesse chorar (E se não tivesse chorar)


Me-lhor e-ra tu-do se a-ca-bar (Melhor era tudo se acabar)

Eu amei, amei demais
o que eu sofri por causa de amor ninguém sofreu
Eu chorei, perdi a paz
mas o que eu sei é que ninguém nunca teve mais,
mais do que eu


Não sei quem é o meu mestre de capoeira. Não sei se estudou, se leu, se vê cinema, se viajou muito ou pouco. Sei que tem uma sabedoria rara. As coisas mais simples.

13.12.04
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Na semana passada esqueci-me de publicitar o meu texto na Terra da Alegria. Falei da necessidade de desconstrução da fé e do que isso significa. Hoje volto ao assunto, tomando como mote os congressos da Nova Evangelização que se têm realizado rotativamente em várias cidades europeias. O que digo podia resumir-se nas palavras de Jacques Haab:

«[Muitos cristãos] esperam ainda uma Igreja formada por um conjunto de baptizados, fortes na fé mas sem vaidade, sem ostentação. Capaz de construir a cidade do nosso tempo com todas as outras mulheres e homens, em igualdade, em laicidade.»

A este propósito aconselho vivamente outros dois textos:
:: do José"Terra de missão ou Demissão na Terra?"
:: do Miguel Marujo"Este mundo assim é que faz bem à Igreja"

12.12.04
Luís Aguiar Conraria: dê cá mais cinco!
Descobri um post à imagem do meu Toilet Zone mas muito melhor conseguido! Que satisfação descobrir outras gentes com curiosidades de WC: sente-se bem sentado e descansado, confirme que tem papel higiénico à mão e comece a leitura.

Em defesa dos direitos de autor


Robert Doisneau

A utilização do e-mule, programa que serve para "sacar", trocar com outros utilizadores da internet músicas, fotos, vídeos ou programas, tem-me trazido após uma acusação pedagogicamente implacável por alguém de insuspeitável respeito alguns pesos na consciência... traquinamente superados por saber que está quase a chegar ao meu computador a discografia completa de Massive Attack, Franz Ferdinand, Zero 7 e Pixies, ou outros que me fôr lembrando entretanto!

11.12.04
Roda bota fora
Sampaio dissolve a Assembleia, o governo cai e continua em "governo de gestão" até às eleições antecipadas. Agora o "governo" demitiu-se e passa de "governo de gestão" a novo "governo de gestão". Estou baralhado...

Parece-me que no jogo das aparências políticas a demissão por amuo leva a que quem vê imagens leve a pensar que o Presidente Sampaio foi mau para o menino Santana quando o meteu no canto de castigo e que é agora ele quem vai para o canto mas, por vontade própria, desta vez amuado!

dia dos Direitos Humanos
"O nascimento de uma Civilização Global" é um livro de Robert Muller — o mais velho funcionário da Organização das Nações Unidas. Não o li, nem o consegui encontrar nas nossas livrarias. O que dele conheço é só um trecho, lido por Leonardo Boff aquando da sua vinda a Coimbra. Ontem, comemorou-se o 56º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Com um dia de atraso, aqui fica Robert Muller e a sua recriação da Criação — "A nova génese da Humanidade":

«E Deus viu que todas as nações da Terra, negras e brancas, pobres e ricas, do norte e do sul, do oriente e do ocidente, de todos os credos enviavam os seus emissários a um grande edifício de cristal, nas margens do rio do sol nascente, na ilha de Manhattan, na ONU, para juntos estudar, juntos pensar, juntos cuidarem do mundo e de todas as suas tribos.
E Deus disse: isso é bom.
E esse foi o primeiro dia da Nova Era da Terra.
E Deus viu que os soldados de paz separavam os combatentes de nações em guerra, que as diferenças eram resolvidas pela negociação e pela razão e não pelas armas, e que os líderes das nações se encontravam, trocavam ideias, uniam os seus corações, as suas mentes, as suas forças para benefício de toda a Humanidade.
E Deus disse: isso é bom.
E esse foi o segundo dia do Planeta da Paz.
E Deus viu que os seres humanos amavam a totalidade da Criação, as estrelas e o sol, o dia e a noite, o ar e os oceanos, a terra e as águas, os peixes e as aves, as flores e as plantas, chamando-os a todos irmãos e irmãs.
E Deus disse: isso é bom.
E esse foi o terceiro dia do Planeta da Felicidade.
E Deus viu que os seres humanos eliminavam a fome, a doença, a ignorância, o sofrimento em toda a Terra, proporcionando a cada pessoa humana uma vida decente, reduzindo a avidez, a força e a riqueza de uns poucos.
E Deus disse: isso é bom.
E esse foi o quarto dia do Planeta da Justiça.
E Deus viu que os seres humanos viviam em harmonia com o seu planeta e paz com os outros, gerindo os seus recursos com sabedoria, evitando o desperdício, refreando os excessos, substituindo o ódio pelo amor, a avidez pelo contentamento, a arrogância pela unidade, a suspeita pela compreensão.
E Deus disse: isso é bom.
E esse foi o quinto dia do Planeta do Ouro.
E Deus viu que as nações destruíam as suas armas, as suas bombas, os seus mísseis, os seus navios e aviões de guerra, desactivando as suas bases, desmobilizando os seus exércitos, mantendo apenas polícias para proteger os bons dos malévolos.
E Deus disse: isso é bom.
E esse foi o sexto dia do Planeta da Razão.
E Deus viu que os seres humanos restauravam Deus e a Pessoa Humana como princípio e fim de tudo, reduzindo instituições, crenças políticas, governos e todas as entidades humanas a simples servidores de Deus e dos Povos.
E Deus viu adoptar como lei suprema: “Amarás ao Deus do Universo com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente, com todas as tuas forças e amarás os teus irmãos e irmãs humanos como amas a ti mesmo. Não há mandamento maior que este”.
E Deus disse: isso é muito bom.
E esse foi o sétimo dia do Planeta de Deus.»

10.12.04
a escarreta de Filomena Mónica
Publicou Maria Filomena Mónica (MFM) um texto deplorável sobre Boaventura Sousa Santos no suplemento "Mil Folhas" do "Público" de sábado. A misturada de crítica à poesia de Boaventura com comentários ao seu trabalho científico é, por si só, suspeita. Mais descabida se torna quando publicada na secção "Poesia" daquele suplemento. A argumentação utilizada é caluniosa e reveladora de muita ignorância, misturada com os habituais tiques de centralismo alfacinha.
Dispenso comentários aos primeiros cincos parágrafos do texto, onde são citados versos soltos da poesia de Sousa Santos, publicados, espante-se, em 1980! A segunda metade do texto é mais grave, por se tratar, tão só, de insulto medíocre. Vejamos.
MFM começa por criticar o prefácio de Sousa Santos a manuais de Sociologia do Ensino Secundário. Sousa Santos defendo o "empenhamento dos professores numa prática de pedagogia activa, através da qual se familiarizem os estudantes com uma forma de conhecimento da sociedade que, no essencial, é uma forma de educação para a cidadania". Por isso perde todo o carácter científico. Pior, esse texto seria mais uma tirada ideológica de um dos arautos do movimento anti-globalização! Bastaria a Filomena Mónica ler a Lei de Bases do Sistema Educativo para não dizer disparates: «A educação promove o desenvolvimento do espírito democrático e pluralista, respeitador dos outros e das suas ideias, aberto ao diálogo e à livre troca de opiniões, formando cidadãos capazes de julgarem com espírito crítico e criativo o meio social em que se integram e de se empenharem na sua transformação progressiva.» (LBSE, artigo 2º, alínea 5)
O resto do artigo pretende criticar a obra "Conflito e Transformação Social: uma paisagem das justiças em Moçambique". A sua argumentação é simplesmente absurda: por analizar a "pluralidade de direitos que, reconhecidos ou não oficialmente, regem os conflitos e a ordem social" Boaventura é imediatamente acusado de legitimação de práticas legais alternativas e de atentado à herança liberal do estado de direito.
Que artigo é este que nos é apresentado na secção "Poesia" do suplemento de um jornal como o "Público"? Não é seguramente crítica de poesia. Não é argumentação científica. É simplesmente o insulto de Sousa Santos, com o intuito de atacar toda a «"Nomemklatura" sociológica, não só portuguesa (...), mas internacional», como a autora faz questão de deixar claro. Os comentários de mau gosto abundam ao longo do texto. Desde os "salões pequeno-burgueses do centro do país" ao "fazer corar as meninas das aldeias", que mostram que Filomena Mónica despreza tudo o que não vem da capital. Mesmo quando o reconhecimento internacional é notório (e é esse o caso de Boaventura), a mediocridade de MFM apenas lhe dá para a escarreta. Mais adiante, como quem está plenamente convencida de que o verdadeiro intelectual é o se fecha meses a fio na solidão do seu gabinete, diz que os trabalhos de Sousa Santos são escritos "de parceria com um exército de assistentes universitários". Como se, em qualquer ciência, houvesse projectos de investigação de envergadura levados adiante unipessoalmente. Filomena Mónica devia ler artigos de Física Teórica, para saber o que é um exército a escrever um artigo.
Como foi dito na Memória Inventada, «Que o ódio cega já se sabia, mas não terá MFM um amigo que lhe releia a prosa e a aconselhe? E que espírito belicista é aquele com que remata o artigo ("Não vale a pena criticar soldados quando temos à mão um general. Na luta, há que apontar à cabeça."?) Corrija a mira, MFM. Deu foi um balázio nos pés.»

Ler ainda o comentário do Esplanar e do Céu sobre Lisboa.

8.12.04
Liberdade. Amor. Poesia.
Cesariny abre a sua casa, incrível casa cheia de pinturas e livros, tudo empilhado, enchendo paredes e lugares de passagem. Uma casa com pouca claridade.
Cesariny diz-nos que "escrever era como voar, voar, voar. Pode dizer-se que o fogo era tal... que me consumiu. Ficaram só as cinzas, e com cinzas não se faz poesia". Diz que a sua poesia não é feita de "estavas linda Inês posta em sossego", e que nela está sempre presente alguma raiva, alguma fúria.
Cesariny diz-nos que a pintura lhe trouxe maior liberdade.

A irmã dele aparece no documentário exclamando que ele só diz disparates. Ri-se e nós rimo-nos.

Cesariny desilude-se por o surrealismo ser considerado apenas uma forma de arte quando ele é REVOLUÇÃO (enterrada em museus e bibliotecas). As palavras de ordem são:

LIBERDADE
AMOR
POESIA

Traz-nos coragem de não ser o que esperam de nós, faz pensar no que queremos de nós. Avisa que isso lhe trouxe amarguras num país de tecto baixo. É torrencial.
Fala-nos do amor. Mais uma vez sinto como o amor entre dois homosexuais é belo como só o amor é. (livro: Salto Mortal de Marion Zimmer Bradley, o filme: Boy's don´t cry, Kimberly Peirce).
Projectados os seu quadro aparece este homem de tronco nú. Imagens de força e fragilidade.
Um filme lindíssimo.

7.12.04
Há dias que parecem dois
No meio de um trabalho de tarde inteira diz ela: "Sabem que há uns anos uns alunos conseguiram aceder ao exame para a especialidade? Depois venderam aos colegas por 200 contos".
Todas exclamaram que aquilo era uma cretinice, que era uma vergonha, uma anormalidade. Esses sacanas passam à frente de todos e ainda se riem dos honestos. Deviam ser todos presos! A fúria entrou naquele quarto.

Conclusão: todas elas, no final, afirmaram que sim era uma indecência, mas pagariam também pelo dito exame... afinal não podiam ficar assim para trás numa rasteirada tão ignóbil. Sim, é bom chegar onde queremos com o nosso próprio esforço, mas e os outros que chegam lá sem esforço nenhum?

São minhas colegas.
Isto há dias em uma pessoa se arrepende de ter saído de casa.

6.12.04
Toilet Zone


"O futuro é um presente que a vida oferece"
(lido no WC de um bar)

Foi sem mais nem menos que dei com aquela frase. Aliás já tinha notado que ela lá estava numa visita prévia. Nunca me deu para escrever nas portas das casas de banho, mas entretenho-me nas leituras dos que lá foram aquecendo a sanita com seus rabos nas vezes anteriores. Normalmente não há grande piada, é como em tudo: raramente aparece um génio!

Os escritos ou são sobre futebol e os "Viva SLB" que os seguintes aproveitam para tentar riscar por cima ou guinar as letras até parecer "Viva SCP", com "Viva SLB" sempre debaixo a espreitar. Ou números de telefone de promessas e necessidades sexuais. Ou comentários racistas com respostas que tentam educar os primeiros. Ou discussões políticas género "Viva o BE", "Força PCP", etc. Alguns demonstram o orgulho das cidades donde vêm. Entretenimento sem grande beleza.

Com canetas, marcadores ou isqueiros é interessante imaginar os esforços nas sanitas para chegar a zonas nunca antes rabiscadas e manter a pontaria no buraco do splosh!

Descobri que a minha Faculdade é possivelmente dos sítios em que os comentários são de menos qualidade em inteligência, no tamanho e nas cores. Pensei se poderia ser analisado o tipo de pessoas que frequentam os direrentes sítios pelos escritos. Os comentários quando voltássemos da casa de banho seriam: "Este bar é claramente de gente classe média" ou "vê-se bem que são só tios que por aqui passam". Novos temas para conversa surgiriam, possivelmente tão interessantes como o deste post.

Mais tarde e numa fase de bipolarização com engenhosos raciocínios sobre os mistérios do sexo oposto pensei "como serão os escritos nas casas de banho das mulheres?" Será que têm algum passatempo mais engraçado e de equipa que corresponda à ida aos pares!? Será que desabafam sobre os defeitos dos homens ou sobre a forma como não conseguem urinar em pé!?
Pensei logo na união masculina em torno do nosso espaço de meditação com o lacinho à porta: "Homens deste mundo, uni-vos! vamos aproveitar a criatividade dos momentos de descanso na casa de banho para mudar a nossa intimidade!" Pensei como podia ser mais interessante um debate numa Casa de Banho, com desafios preparados pelos donos dos estabelecimentos "o tema do dia de hoje é... o cabelo da Clara Ferreira Alves", com canetas coloridas e prémios para os mais criativos. Lembrei-me de um colega meu que dizia que a melhor forma de ultrapassar um desgosto de amor é pensar na pessoa que nos largou a aliviar-se após um almoço de feijoada...

As casas de banho dão que falar. Se pensarmos nas casas de banho que não são públicas o fenómeno é ainda mais brutal. Aquele amigo que conhecemos desde pequeninos usa sabão azul, aquela colega com quem fomos estudar e até estamos de olho nela, usa o papel higiénico mais áspero de todo o continente e tem um espelho em forma de coração. Podemos criar testes psicológicos pelas fobias que as pessoas têm na casa de banho, a maneira como se sentam na sanita, o tempo que demoram a olhar-se ao espelho, as marcas dos produtos de higiene, a forma como é feito o design das mesmas. Há mil e uma coisas por descobrir em torno da casa de banho e a forma como é usada, é todo um mundo de possíveis alternativas ao sentido para a vida e à forma de colocarmos as nossas dúvidas existenciais. Afinal, quem seria capaz de se sentir sem resposta para as perguntas "quem sou eu", "para onde vou" e "o que estou aqui a fazer" numa casa de banho!?

5.12.04
Depois....


Está em cena no King o documentário sobre Mário Césariny realizado por Miguel Gonçalves Mendes vencedor do prémio para melhor documentário português no DocLisboa.

Fui hoje assistir ao filme que aconselho vivamente a irem descobrir, é um momento bem passado e saímos com a sensação de ter ganho um amigo. Césariny passa a tu, saímos de lá com vontade de lhe dar um abraço.
Todo ele é inesperado nas respostas criativas de quem pensa com inteligência, na forma como se confronta com ele, com o que acha e sente. Fala com à vontade sobre as intimidades, amor e vida; com ar de quem não tem medo do que é. Césariny é gente: que a um passo nos faz sentir próximos dele e a outro nos envergonha nas mesquinhices do dia a dia. Gostei imenso daquele velhote de cigarro sempre na boca muito criança nos gestos, nas expressões e nos jogos de ideias. Vim carinhoso dele, que senhor enorme!


"Nunca procurei muito
que gostassem de mim.
Se me deixassem gostar eu do outro...
para mim já era bestial."

"A fama... a fama é como um pedestal muito muito comprido
onde estou lá no alto bem alto com muitas pessoas cá bem em baixo
a olharem para mim assim (faz uma boca aberta embasbacada com ar de oooooh)
ouvem o que tenho a dizer,
no fim fazem (bate as palmas clap clap clap),
e deixam-me voltar para casa sozinho"

A Autografia
AUTOGRAFIA

sou um homem
um poeta
uma máquina de passar vidro colorido
um copo uma pedra
uma pedra configurada
um avião que sobe levando-te nos seus braços
que atravessam agora o último glaciar da terra

o meu nome está farto de ser escrito na lista dos tiranos: condenado
à morte!
os dias e as noites deste século têm gritado tanto no meu peito que
existe nele uma árvore miraculada
tenho um pé que já deu a volta ao mundo
e a família na rua
um é loiro
outro moreno
e nunca se encontrarão
conheço a tua voz como os meus dedos
( antes de conhecer-te já eu te ia beijar a tua casa )
tenho um sol sobre a pleura
e toda a água do mar à minha espera
quando amo imito o movimento das marés
e os assassínios mais vulgares do ano
sou, por fora de mim, a minha gabardina
e eu o pico Everest
posso ser visto à noite na companhia de gente altamente suspeita
e nunca de dia a teus pés florindo a tua boca
porque tu és o dia porque tu és
a terra onde eu há milhares de anos vivo a parábola
do rei morto, do vento e da primavera
Quanto ao de toda a gente - tenho visto qualquer coisa
Viagens a Paris - já se arranjaram algumas.
Enlaces e divórcios de ocasião - não foram poucos.
Conversas com meteoros internacionais - também, já por cá
passaram.
Eu sou, no sentido mais enérgico da palavra
uma carruagem de propulsão por hálito
os amigos que tive as mulheres que assombrei as ruas por onde
passei uma só vez
tudo isso vive em mim para uma história
de sentido ainda oculto
magnifica irreal
como uma povoação abandonada aos lobos
lapidar e seca
como uma linha-férrea ultrajada pelo tempo
é por isso que eu trago um certo peso extinto
nas costas
a servir de combustível
e é por isso que eu acho que as paisagens ainda hão-de vir a ser
escrupulosamente electrocutadas vivas
para não termos de atirá-las semi-mortas à linha
E para dizer-te tudo
dir-te-ei que aos meus vinte e cinco anos de existência solar estou
em franca ascensão para ti O Magnifico
na cama no espaço duma pedra em Lisboa-Os-Sustos
e que o homem-expedição de que não há notícias nos jornais
nem
lágrimas à porta das famílias
sou eu meu bem sou eu
partido de manhã encontrado perdido entre
lagos de incêndio e o teu retrato grande!

(Mário Césariny)

uma moral secular
Encontrei este trecho do Dalai Lama, no Hortus Deliciarum. Deixo aqui, só para picar o Timshel, sem mais comentários:

«Creio profundamente que devemos encontrar, todos em conjunto, uma espiritualidade nova. Este novo conceito deveria ser elaborado paralelamente às religiões, de modo a atrair a adesão de todas as boas vontades. Um conceito novo, uma espiritualidade laica. Deveríamos promover este conceito com a ajuda dos cientistas. Poderia levar-nos a estabelecer o que todos procuramos, uma moral secular. Creio profundamente nisso. Para criar um mundo futuro melhor.»

(Dalai Lama; Samsara, A Vida, A Morte, O Renascimento)

Porque tememos tanto a beleza?
Na página da recentemente criada Comissão Episcopal da Cultura, José Tolentino Mendonça escreve sobre a beleza e o nosso medo dela. Já Wittgenstein dizia que a ética,a estética e a religião são a mesma coisa. Neste texto intitulado "Porque tememos tanto a beleza?" questiona-se porque "preferimos abordar Jesus pelo caminho da ética ou da dogmática, bem e verdade" esquecendo a estética — a beleza:

«Devia inquietar-nos muito o que defendeu um dos maiores teólogos do nosso tempo, Hans Urs von Balthasar, ao sugerir que a vitalidade do sentir cristão se reflectiu mais, no séc. XX, na obra dos grandes poetas e criadores do que em toda a teologia que se escreveu.»

(Paul Gaugin, Yellow Christ)

Antes da Autografia
PASTELARIA

Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura

Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante

Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício

Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola

Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come

Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!

Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir
de tudo

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra


(Mário Césariny)

4.12.04
"Pora!"
From the student body of Ukrainian Catholic University,
L'viv, Ukraine, 22 November 2004

To our fellow students and youth throughout the world:

We, the students of the Ukrainian Catholic University (Lviv, Ukraine), are sending you this letter in order to attract your attention to the current presidential elections in Ukraine, one of the biggest (although not wealthiest) European countries. There is a true battle for democracy going on here right now. Ukrainian journalists work under constant pressure; all major Ukrainian media are under control of pro-government political forces. Those who oppose the current highly corrupt political regime are heavily persecuted in many Ukrainian regions. The examples of such violent intimidation are the following cases. Observers of the opposition candidate have been cruelly beaten. The same happened with the leaders of student organization “Pora” (It`s time) and the members of their families. Workers of governmental organizations in all regions of Ukraine were threatened with losing their jobs if they did not vote for the pro-government candidate. Thousands of people are now in the streets protesting against the falsifications of elections. At this moment about half a million people are at the main square of the capital of Ukraine in Kyiv. At this moment 99,7% of votes have been counted. The pro-government candidate got 49,7% and the candidate from opposition got 46,7%. However, these results are falsified.

We ask all students to support us in defending truth and justice in Ukrainian society. We need to feel that we are not alone, that there are a lot of people ready to help us to protect our Motherland from violations of freedom and democracy which is made by the government candidate.

You can express your support by
1) prayer together with your friends, that God, Justice, Truth and Love will grant Ukraine justice and protect our freedom of choice;
2) if possible, appeal to your local media to pay attention to falsifications of voting and intimidations during the second round of Ukraine's elections;
3) write to us with your support. It helps us to defend our free choice when we feel support of the youth of other countries;
4) spread this information to all your friends.

Thank you for your support! Together we are the strength which cannot be ignored!

Sincerely,

The Student Body
Ukrainian Catholic University
L'viv, Ukraine


3.12.04
A experiência de comunidade
Esta passagem de ano dezenas de milhares de jovens vão deixar as suas famílias, as suas casas e os seus amigos para depois de uma dezena de horas de viagem de autocarro partilharem o fim de ano com pessoas que não conhecem. É o encontro de jovens da Comunidade de Taizé que se vai realizar em Lisboa de 28 de Dezembro a 1 de Janeiro.
É engraçado tentar perceber o que leva jovens de diferentes países, idades, cores, crenças e descrenças a deslocarem-se primeiro durante uma semana das suas férias para a aldeia de Taizé e depois a passar o ano numa cidade tão longe dos seus costumes. Afinal qual é o segredo e a magia da participação na comunidade de Taizé?
Para mim, a grande diferença é a simplicidade. A simplicidade não só de uma vida simples relativamente a bens materiais mas também a simplicidade de não ter grandes pretensões: de evangelização, de dar todas as respostas para os grandes problemas do mundo, etc. E centrar-se sim no respeito por aquilo que cada um que chega a Taizé é e veio procurar na comunidade.
É um clima de esperança e confiança no mundo, de alegria por estarem todos juntos.
Na verdade, estes jovens têm uma coisa em comum, procuram um sentido para as suas vidas, uma lufada de ar fresco para a sua esperança no mundo. Porque "De uma vida partilhada nasce a paz. O entendimento entre os povos, a solidariedade, não se constrói através de acções espectaculares, mas graças a um quotidiano passado lado a lado, aos contactos humanos vividos com honestidade e simplicidade", é importante encontrar lugares de comunidade como este em que possamos aprender a cuidar do nosso mundo.

2.12.04
Agora também em livro


O Barnabé já está nas bancas!!! Após a festa do Milhão de visitantes, anuncia-se a apresentação do livro na Livraria Ler Devagar na próxima semana.

Parabéns!!!
A vossa prenda enviei pelo Dr. Jorge Sampaio ontem pela tardinha, espero que gostem...

Santana Flopes para o Túnel do Marquês
Volta-se a discutir por entre a blogosfera e a portugosfera a decisão tomada por Sampaio há 4 meses atrás de ter consentido a continuidade do PSD para governar o nosso país. Hoje, uns defendem que a decisão de dissolução da Assembleia de ontem foi um alívio mas que já veio tarde, outros que a decisão da dissolução da Assembleia de ontem foi um alívio em tempo certo.

Na práctica parece-me que a melhor decisão para o país teria sido eleições há 4 meses atrás, escusando-nos a termos aturado o período mais negro do governo democrático em Portugal. Isto porque conhecendo as asneiras e a forma de (não) pensar do menino Pedrinho me parecia óbvio que isso seria péssimo para o país.
No entanto, não votamos em primeiros ministros e Sampaio não podia fazer uma escolha pessoal avaliando de alto a baixo Pedro Santana Lopes e fazendo um "hmmm, acho que não tem condições para primeiro ministro!" Isso seria um dos argumentos a favor da decisão de Sampaio mas o mais forte para mim é que em termos de respeito pelo voto, e implícita responsabilidade para cada um dos votantes, acho que a decisão foi justa. E que os resultados prácticos e imediatos são um "atestado de incompetência" passado pelos portugueses em geral ao Sr. Lopes e suas vaidades, imbecilidades e outras -dades deste género. Serviu para provar o que sabiam alguns acerca da incompetência de Santana Lopes do Sporting, da Figueira, de Lisboa, a (quase) todos no país. Valerá isso a desgraça que por aqui passou? Talvez não, mas de antemão Sampaio não podia assumir que seria uma desgraça sendo que a democracia defende que qualquer cidadão, qualquer um de nós, pode ser primeiro ministro. Respeito pelo voto seria ter feito novas eleições dirão alguns, defendo a isso que a maioria que votou no PSD e elegeu Durão Barroso deve responsabilizar-se pelo que votou mesmo que isso seja um pesadelo para todos os que não votaram. Democracia é isso.

Agora já se começam a limpar as armas dos dois lados. Já se começa a sentir a campanha. Um PSD que ainda não se sabe se se credibiliza com uma saída de Santana Lopes, ou se perde as eleições com Santana a querer continuar agarrado ao poder sem perceber que não tem saída política, e que precisa de uma retirada de cena como Cavaco e Guterres o fizeram para voltarem agora "em estado de culto". Um CDS a quem lhe tiram o poder mas que acaba por ganhar eleitorado se o PSD continuar desfeito e que já pisca o olho aos dois lados porque os lugares do poder lhe são queridos, muito queridos!
Uma esquerda PS (será esquerda? - é outro dos debates que se ouvem) em regozijo com a caída do governo de Santana a preparar-se para fazer governo, mas sem grande confiança em Sócrates. Outra esquerda mais pequena de PCP e BE em regozijo com a caída do governo de Santana, que acredita que dois candidatos fracos na bipolarização do costume servem o crescimento do seu eleitorado. Quem se seguirá? Estou curioso com as saídas do PSD: Santana Lopes? Marcelo Rebelo de Sousa? Cavaco Silva? Marques Mendes?

Uma grande perca tivemos na decisão do Presidente Jorge: o manancial de humor reduz-se significativamente. Certo é que ninguém vai ter saudades!



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