9.11.04
a tese do rearmamento da Europa
Com a vitória de Bush nas eleições americanas, a necessidade de rearmamento da europa é uma das ideias que têm sido apregoadas, inclusivé pelo director do "Le Monde". É uma ideia disparatada e inaceitável, Luís Salgado de Matos explica porquê (sublinhado meu):

«A vitória de Bush tem sido demonizada. O Daily Mirror, um jornal londrino, fazia dela título de primeira página: «Como pode haver 59.054.087 pessoas tão estúpidas?» Os europeus explicam-na pelo moralismo. O que significa: quem vota moralista é diferente de nós e inferior a nós. A explicação é lamentável - é bom acreditar em valores - e falsa: o voto dos evangelistas não aumentou e o eleitorado norte-americano não se tornou mais intolerante face aos gays, às mães solteiras, ao aborto.
Bush ganhou porque não houve mais atentados nos EUA, a riqueza individual americana atingiu o mais alto nível de sempre, o desemprego estabilizou - e Presidente candidato está meio eleito. [O americano médio, como o europeu, está-se a marimbar para o défice!]
Os meios de comunicação social europeus ocultam estes factos - e mentem ao dizerem que os yankees foram derrotados no Iraque. O ataque foi errado mas os americanos venceram. E sabem-no.
A questão central não é se Bush é bom. É se somos aliados dos EUA. Por mau que Bush seja, não os desfigurou ao ponto de os transformar em território inimigo. Temos que aceitar os nossos aliados como são. Se discordamos deles, devemos apresentar-lhes contra-propostas, em vez de os bombardearmos com insinuações e insultos malévolos.
(...) O director do diário parisiense ["Le Monde"] escreve o que muitos pensam: a União Europeia (UE) não conta por ser fraca. Se nos armarmos, o mundo em geral e Washington em particular respeitar-nos-ão.
A tese do rearmamento é inaceitável. Este rearmamento ou falharia ou teria êxito. Se falhasse, teria sido dinheiro mal gasto que teria agravado os ressentimentos. Este falhanço é o mais provável. (...) Só teria êxito se a Europa persuadisse os Eua que poderia destruí-los. Mas então estaríamos à beira da guerra.
Os autores daquelas brincadeiras perigosas querem transformar um bem - a UE pacífica - num mal - a UE agressiva. Esquecem o paradoxo central da força armada: só é útil se for verosímil a sua utilidade. A França em 1939 tinha armas para dissuadir a Alemanha. Mas esta sabia que a França não as usaria. E não usou. E não dissuadiu. Por isso a Alemanha invadiu a França. Era a Segunda Guerra Mundial.
Disseram-nos que a Europa uniu-se para evitar uma nova guerra entre a França e a Alemanha. Percebemos mal? Ter-nos-ão dito que a UE foi feita para permitir à França e à Alemanha fazerem uma nova guerra aos Estados Unidos?
Queremos a Europa ou queremos a terceira tentativa de suicídio da Europa?
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