16.11.04
MAResia
Antes. MARta gostava de experimentar coisas diferentes mas nunca fora de esoterismos, de facto nunca se tinha sequer interessado, ao ponto de não saber distinguir entre os diferentes "conhecimentos" ditos "orientais". Ela tinha algum cepticismo em relação a esses espiritualismos, talvez a forma que conhecesse mais próxima deles fosse para ela "o optimismo".
Quando MARco lhe apareceu com os olhos brilhantes e um "tens que experimentar" ela acedeu curiosa sabendo que aquela conjunção de factores que vinham com o convite eram de confiança. Ser MARco a convidá-la era garantia de coisa boa.
Quando caminhou em direcção ao Reiki, MARta ia nervosa com medo que lhe descobrissem coisas más nela que ela nem sequer soubesse que tinha. Ia sem saber ao que ia, MARco acreditava que era importante ela não saber de antemão como funcionava, não criar expectativas. Até porque cada sessão de Reiki era diferente consoante a pessoa, quem desse o Reiki, o espaço onde acontece, o momento.

A sessão. MARia preparou a sala. MARta deitou-se no chão onde MARia lhe estendera um saco-cama. Aos pés tinha velas acendidas por MARia. A música que tocava era suave, pacificadora. MARia deitou-lhe por cima 3 cobertores dobrados e mais um nos pés. "VAi descontraindo", disse ela quando saíu da sala para se preparar.
MARta tentou descontrair, ouviu a música, tentou pôr-se confortável, bem.
Quando MARia voltou começaram, MARta não abriu os olhos. Sentiu a cabeça começar a estalar como bolinhas que subiam. Sentia o corpo todo, sentia-se quente e nada descontraída, pelo contrário sentia-se tensa. Relembrou coisas de quando era pequena, relembrou-se de pessoas amigas, dos olhos delas, dos pais. Teve recordações boas em cacho, depois recordações más em cacho. Houve uma altura em que teve momento de chorar. Teve fases de algum alívio mas grande parte do tempo estava quente e desconfortável. Sentia os pés, os braços, todo o seu corpo, tinha consciência dele; até sabia onde estava o seu cérebro. O corpo parecia separado da mente que recordava ou via imagens sem parar. A certa altura sentiu as mãos a levantarem, podia assim o quisesse impedi-las mas não queria. A música continuava por entre tudo o que ela era.
- Acabámos - disse MARia, - sentes-te bem?, disse com ar de quem sabia que a resposta era negativa.
- Não, sinto os braços com energia! Senti que aconteceu aqui imensa coisa mas coisa inexplicáveis, incompreensíveis.
MARia recomeçou mas desta vez tocando-lhe com as mãos. Nos cotovelos, nos ombros, na cabeça, no peito, nas pernas nos pés. MARta finalmente descontraíu. No fim falaram uma de cada vez sobre o que tinham sentido, lembrado, MARia falou muito sobre MARta, sobre quem tinha sentido ser MARta.
A dada pergunta MARta com vontade de responder sentiu que não conseguia.
- Não con-si-go - balbuciou.
- Queres chorar?
- Estava a tentar não o fazer.
Começa a tremer, a soluçar, impotente sobre o seu corpo, tentava respirar fundo sem conseguir. O corpo não lhe respondia e explodia em nervos. Esteve assim durante meia-hora, MARia recomeçou a tocá-la, a falar com ela, a acalmá-la, a fazer perguntas e deu-lhe dois cristais para as mãos. MARta foi acalmando e soube quando tinha acabado a sessão, abriu os olhos por ela mesma.

Depois. Abraçou com muita força MARia, tinham sido muito intímas no que tinham vivido. Tentou regressar devagarinho a si. Saíu de lá em pulgas para contar a MARco. A sensação de alívio que tinha no peito, as conversas que tinha tido, as sensações. Sentia que tinha largado um peso enorme, que tinha revolvido todo o seu passado no fundo mais profundo, em zonas que não sabia que existiam. Resolvido problemas que tinha, que ela desconhecia. Contou-lhe tudo, clamou como era "impressionante", "incrível" vezes sem conta. Mostrou-lhe o livro que MARia lhe tinha emprestado: "Mãos de Luz". Trocaram beijos.

Agora. MARta tem contado aos amigos mais próximos empolgada e palavrosa onde foi e o que viu. Como se tentasse encontrar neles uma resposta para tão importante viagem. Os amigos, por sua vez, entusiasmam-se, sem conseguirem perceber se entendem ou nem por isso tamanha descrição MARta tem medo que alguma coisa naquela mudança volte atrás. Hoje MARco ofereceu-lhe como prenda um poema pequeno de Sophia, que dizia,

"Mostrai-me as anémonas, as medusas e os corais
Do fundo do mar.
Eu nasci há um instante."

MARta era aquele poema. Palavras que entendeu e que a deixam sedenta em vontade de se deitar outra vez entregando-se ao experimentar sem compreender nas mãos de MARia.



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