2.11.04
A Igreja de amanhã
Aqui fica a apresentação da minha crónica de ontem na Terra da Alegria. Chama-se "Cidadania na Igreja". A jeito de introdução deixo um texto de Karl Rahner que tem o mesmo título deste post — "A Igreja de amanhã":

«Vou-me permitir uma pequena fantasia e colocar-me, em imaginação, na situação dum católico dos tempos futuros, pouco importa se esta descrição se realiza dentro de vinte, trinta ou cem anos. Não se trata duma profecia, mas dum SONHO.
Nesses tempos futuros, e com uma densidade variável, as paróquias, as comunidades cristãs estarão espalhadas pelo mundo inteiro. Mas essas comunidades serão em toda a parte "o pequeno rebanho", porque a população mundial cresce mais depressa do que os cristãos.
As pessoas já não serão cristãs pela simples força do hábito, da tradição, da história ou da ordem estabelecida. Ainda menos, pelo facto de a fé impregnar universalmente a sociedade. Pelo contrário, se exceptuarmos a influência exercida pelos pais cristãos, o ambiente familiar, ou os pequenos grupos restritos, as pessoas já não serão capazes de ser cristãs se não for graças a uma fé verdadeiramente pessoal que sem cessar deverão fazer crescer.
A Igreja teré entrado, pela vontade do Senhor, Mestre da história, num tempo novo. Em todos os domínios será reduzida às únicas forças da fé e da santidade, não poderá contar quase nada com o prestígio duma instituição puramente exterior. Não seré já a instituição que formará os corações, mas os corações que farão subsistir a instituição. Estes cristãos considerar-se-ão, portanto, como irmãos e irmãs, porque na construção da Igreja, cada um, quer exerça ou não função ministerial, se estimará como servo de todos os outros. O que exercer a autoridade aceitará respeitosamente a obediência de seus irmãos. Não será somente verdadeiro em teoria, mas poder-se-á verificar no grande dia que, na Igreja, todos os cargos, todas as dignidades são serviços gratuitos sem nenhum sinal exterior de superioridade à maneira do mundo. A função não se revestirá de fausto e brilho, será apenas mais livre no seu exercício. Talvez mesmo não mais haverá destas dignidades no sentido em que se entendem sobre a terra. Um muito pequeno rebanho, unido fraternalmente na mesma fé, na mesma esperança e na mesma caridade, tal será a IGREJA DE AMANHÃ...
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