20.10.04
Tempos de mudança


Naqueles tempos, crianças e jovens eram apaixonadas por écrans de computadores e televisões e formadas num "processo educativo que quer pela sua natureza, quer pela sua prática e extensão, tem visado apenas o desenvolvimento cognitivo, ignorando as outras dimensões e capacidades humanas".

A palavra "família" ganhou novos caminhos pela "revolução económica dos séculos XIX e XX, que permitiu às mulheres o acesso a actividades laborais remuneradas exercidas no exterior da casa, deixando (algumas) de continuar na dependência dos maridos," pelo aparecimento das monoparentalidades, dos casais homossexuais exigindo igualdade de direitos, casamento e direito à adopção. "O alargamento e democratização da escolaridade veio, por sua vez, mostrar outros modelos aos filhos, tornando-os menos dependentes do quadro familiar e, portanto, mais autónomos."

Naquele tempo as "ciências" da psicologia e pedagogia eram mundos aliciantes por descobrir, embora muitas vezes por conceitos algo vagos como a "abertura" e a "construção" no desenvolvimento da criança. A Educação continuava a ser a grande questão para aquelas sociedades milhares de anos depois. Sentiam-se estúpidos ao tentar encontrar melhores formas para educar para uma cidadania e uma democracia em que cada qual fosse sujeito na história e não cada qual um no conjunto das individualidades ensimesmadas. Estúpidos por ser longe e distante do real, que real é esse? E que sentido davam as pessoas a essa democracia?

Compreendia-se pela experiência que a introdução do ensino pela arte (ao mais belo estilo dos ideais da Antiguidade Clássica) era potenciadora nos indivíduos e até libertadora pelo teatro, pela dança, pelas expressões plásticas, pela mísica, pelo circo. O estimular a criatividade e a relação com os outros pela estética, pelo sentir do corpo e do existir eram objectivos que podiam chegar a outros estados que não se sabia definir, mas que se sabia serem bons. Mas, traziam obviamente, poucas mais valias para o sistema econ�mico, para a criação de seres competitivos... e daí, talvez estimulassem novas potencialidade nas áreas do marketing, da publicidade e da imagem. Havia também quem os achasse perda de tempo, entretenimento; havia ainda quem não tivesse acesso à palavra "Arte".

Naqueles tempos o mundo ia rodando e mudando.

(citações a itálico retiradas do Dicionário de Sociologia (2002) da Porto Editora)



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