28.10.04
mãe babada
Vai pelo início da noite antes do jantar com a sua filha até à praia. Saem do carro as duas, filha logo em pulgas e em corrida a espreitar, mãe mais demorada a arrumar o telemóvel no carro para não chatear, a pegar nas tralhas da filha, a trancar o carro. Descem para a areia pela ponta da praia, onde em certos dias a filha consegue fazer voar um bando de gaivotas com uma corrida rápida até elas, depois fica a olhá-las do chão, sonhando com o saber voar. É bonito.

A mãe observa silenciosa.
A filha arrisca-se junto às ondas onde "o mar bate na areia e desmaia", como na música, molhando os pés em corrida e rindo muito; depois volta a correr a receber um mimo da mãe para voltar a correr para a brincadeira curiosa de reconhecer a praia. A areia está muito limpa, o mar apagou o quadro das pegadas, a praia é soprada pelo vento.

A mãe observa tudo silenciosa e desocupa-se a andar, a olhar, a estar.
A filha pede a bola à mãe que a atira com força para o fundo, para uma corrida enorme que acaba no agarrar da bola levantando areia, e mostrando-a no alto em glória trazendo-a de volta.

Caminham sempre até à outra ponta da praia, felizes de ali estarem naquele momento delas duas. Ouvem o mar, o vento. Deslumbram-se com o cimo da falésia enorme e o seu contraste com o céu. A lua é grande. No fim da praia há uma praia muito pequenina, um esconderijo delas onde já se molharam nuas. De cada um dos lados dessa praia há, torneando as rochas dois corredores escuros por onde o mar avança e onde não há mundo senão aquele. Por vezes sobem as duas a uma rocha e vêem o mar e a praia grande lá do alto. Depois retornam: brincando a tentar seguir as pegadas que tinham feito na ida; filha brincandeira corrida curiosa, mãe observa tudo silenciosa.

Ontem correram as duas por de baixo dos chuviscos que eu bem vi. Não acreditaram que a lua enorme e branca se ia eclipsar, e eu também não.



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