18.10.04
mais uma li��o de moral
Escrevi mais uma li��o de moral na Terra da Alegria. Desta vez � sobre a complexidade:

�Os cientistas devem fazer as leis f�sicas t�o simples quanto poss�vel, mas nunca mais simples do que o poss�vel.�
(A. Einstein)


Como tenho descurado os recortes, aqui ficam uns flashes do muito e bom que se tem escrito nos �ltimos tempos:

Do Miguel sobre as f�rias de Deus:
Deus n�o quer saber se partimos hoje um bra�o ou nos zang�mos com a nossa namorada ou se defendemos o penalti para ir a p� a F�tima. Deus tem mais do que pensar. Tem de ir f�rias. Ali�s, j� foi de f�rias. Mas n�o se esqueceu de n�s, de cada um de n�s. �Interrogado pelos fariseus sobre quando chegaria o Reino de Deus, Jesus respondeu-lhes: "O Reino de Deus n�o vem de maneira ostensiva. Ningu�m poder� afirmar: �Ei-lo aqui� ou �Ei-lo ali�, pois o Reino de Deus est� entre v�s."�

Do Lutz sobre a revela��o:
Onde � que se me revela ent�o Deus? N�o se me mostra directamente, e �s provas indirectas da sua exist�ncia e interven��o, os milagres, n�o dou, para dizer a verdade, muito cr�dito. (...) Milagres sim, que me convencem, para l� de qualquer d�vida, de que h� mais do que a nossa vida banal, encontro no comportamento humano. (...) Pessoas que provam que h� algo superior, mais nobre, do que as leis da natureza, e da assim chamada natureza humana, do ego�smo, da indiferen�a e do medo. Chamo o Amor. Amor com mai�scula. � divino, mas est�, � partida, ao alcance de todos n�s.

Do Bernardo Sanchez da Motta sobre o Santo Graal e "O C�digo Da Vinci":
O perigo da invers�o dos s�mbolos est� sempre presente, o que obriga � necessidade de um certo cuidado (dir�amos mesmo, de uma certa compet�ncia) no tratamento dos s�mbolos, para evitar a deturpa��o (ou no pior caso, a invers�o) do significado do s�mbolo.

Alegorias do Afonso Cruz
Alegoria 1: �o que seremos ainda n�o apareceu�. A resposta para o que nos parece in�til hoje est� no futuro. A utilidade dos olhos, dos pulm�es e das m�os, revela-se ap�s o nascimento.
Alegoria 2: J� todos, em alguma altura ou outra da vida, nos depar�mos com aquelas pinturas onde determinada figura l� representada parece olhar-nos fixamente. N�o importa se nos colocamos � esquerda ou � direita, se nos afastamos ou aproximamos, o olhar da dita figura parece seguir-nos implacavelmente.
Alegoria 3: N�o se volta ao ponto de partida propriamente, sobretudo porque nos tornamos diferentes: a pessoa que regressa n�o � a mesma que parte.
Alegoria 4: O Quadrado, her�i desta aventura, certo dia coloca a Esfera sob a possibilidade da exist�ncia de uma quarta dimens�o espacial, ideia que a Esfera rejeita de imediato, acusando o Quadrado de dem�ncia.

Do Carlos Cunha sobre o fim do Inferno:
O "fim do Inferno" em vez de ser libertador para o Homem, e portador de uma boa-nova de esperan�a, sem culpa e sem castigo, tem levado a que aceitemos o Mal (...) com mais naturalidade do que dev�amos. (...) O sentido de Justi�a, impregnado no cora��o de cada homem, seria, ent�o ultrapassado, revogado, eliminado, pela Amnistia Final que nos absolveria a todos por igual, numa esp�cie de tirania da Miseric�rdia divina, em que o Amor se impunha pela for�a e atrav�s do qual caducaria a responsabilidade de cada um. N�o haveria Mal, nem pecado, nem necessidade de arrependimento e convers�o, nem espa�o para a Liberdade.
Est� na moda esta vis�o pueril e cor-de-rosa de um Deus bonzinho e algo idiota, que brinca com os seus filhos, pelos quais n�o teria qualquer respeito. � a que nos agrada mais. � um Deus � nossa semelhan�a e do nosso tempo: um Deus infantil, irracional e que n�o quer ser incomodado com a realidade. Um Deus que escreveria torto por linhas direitas.


Do Marco Oliveira sobre ci�ncia e religi�o:
Se a religi�o fosse contr�ria � raz�o l�gica, ent�o deixaria de ser religi�o para ser simplesmente tradi��o. Religi�o e ci�ncia s�o duas asas sobre as quais a intelig�ncia do homem pode pairar nas alturas, com as quais a alma humana pode progredir. N�o � poss�vel voar com uma asa apenas!

Do Jos� sobre pol�tica:
"Hoje o capitalismo j� n�o explora os pobres: ignora-os. " Eis uma verdade que grita. � pois com tristeza que assisto (...) a um crescente alheamento da no��o da responsabilidade social, a um cada vez maior sentido darwinista da vida em sociedade, no fundo a uma perda do sentido crist�o da vida que devemos ter. � precisamente por isto que eu n�o gosto de falar de pol�tica: sendo direitista, sou um direitista triste, eu que em quase tudo o resto sou alegre.

Do Timshel sobre a interven��o divina:
O Amor � talvez a chave que desequilibra a favor do Bem os pratos da balan�a do acaso.

Do Fernando Macedo sobre a leitura do Novo Testamento:
A tradi��o crist� sempre viveu no registo da diverg�ncia. Este � um facto a que n�o se d� a import�ncia devida. Mas � verdade que as diverg�ncias no cristianismo come�aram cedo. E tanto que se pode dizer que n�o h� cristianismo sem diverg�ncia.



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