9.9.04
a prop�sito do terrorismo
A 18 de Abril o "P�blico" percorreu "os antros mais obscuros do islamismo radical londrino" � procura do l�der espiritual da jihad brit�nica. E publicou uma terr�vel conversa com Omar Bakri Mohammed, te�rico da Al-Quaeda na Europa. N�o pude deixar de me lembrar dessa assombrosa entrevista quando tive not�cia da trag�dia na Oss�tia do Norte que marcou este Ver�o. N�o pela liga��o � Al-Quaeda (que ainda est� por provar), mas pelas palavra do monstruoso intelectual: "O terror � a linguagem do s�culo XXI".
Se o 11 de Setembro j� nos tinha assustado, o atentado de Madrid, em Mar�o, e os �ltimos acontecimentos parecem vir dar raz�o �quele terr�vel progn�stico. Nos tempos dif�ceis em que vivemos, � grande a tenta��o para meter tudo no mesmo saco e dizer simplesmente que "com terroristas n�o se negoceia". Por�m, exactamente em nome da l�gica contr�ria ao terror, � necess�rio mais coragem do que ficar-se pelo "we will get you" de Bush. Como disse Teresa de Sousa num artigo brilhante, no "P�blico" de ter�a-feira:

N�o h� bom nem mau terrorismo, nem h� justifica��o para ele em nenhuma circunst�ncia. Mas n�o querer olhar as suas causas � condenarmo-nos a ficar � sua merc�. � preciso libertarmo-nos da ret�rica da "guerra ao terror" de George W. Bush ou da fria "realpolitik" de Jacques Chirac. � preciso examinar tanto as causas como os efeitos do terror global. Perceber que isso n�o � desculp�-lo mas um passo fundamental para combat�-lo. O caminho errado � aceitar tudo em nome desse combate.
"A vit�ria [sobre o terrorismo] depender� do valor, da decis�o e do empenho em defendermos aquilo que � valioso para n�s e os EUA fazem bem em record�-lo", escrevia h� dias no "Guardian" o historiador brit�nico Timothy Garton-Ash, a prop�sito da import�ncia para o mundo da vit�ria de John Kerry em Novembro. E acrescentava: "Isso depender� de servi�os secretos eficientes e de duro trabalho policial. Mas sobretudo, de que se enfrentem as causas pol�ticas e econ�micas do terrorismo, para poder secar os p�ntanos em que se criam os mosquitos da Al-Qaeda." E tamb�m da nossa capacidade em mostrar as vantagens das nossa sociedades livres. No Iraque como na Tchetch�nia.


Fica ainda o link para o artigo de Timothy Garton-Ash intitulado "The world election".



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