14.9.04
Na primeira pessoa
Rainman encanta-me como se faz com as serpentes. Gosto imenso deste filme, acho que o podia ver vezes sem conta. J� n�o o via h� uns bons 8/10 anos, lembro-me que era um dos poucos bons filmes do pobre clube de v�deo de bairro aqui mais perto, que entretanto desapareceu, trocou de lugar e reapareceu no antigo lugar.
N�o me lembrava de in�meras cenas e consegui entrar no filme como se o visse pela primeira vez, gostei tanto como da lembran�a do gosto que me lembrava ter dele.

Impressionante o Dustin Hoffman, a postura hirta, o olhar vazio, as iras; que maravilha deve ter sido preparar-se para o filme, que desafio ao actor, ao homem. S� os mais atentos descobrem Tom Cruise e o seu rico papel por detr�s do Dustin Hoffman que se ultrapassa a si mesmo num "faz de conta" genial.

No "Por outro lado" de ontem o Carlos J. Pessoa falava tamb�m de "um labirinto onde plantamos alecrim": A descoberta de um eu na cria��o que fazemos, nas coisas em que nos envolvemos. Sinto-me envolvido neste filme, como se me descobrisse a mim na dificuldade daqueles dois irm�os em serem e relacionarem-se e o alecrim e o seu cheiro parece-me ser a vontade de continuar a escrever numa primeira pessoa que tantas vezes me chateia.
Adoro a evolu��o daquelas duas personagens, a envolv�ncia e o investimento no criar uma rela��o de irm�os (manos!), a descoberta que v�o fazendo dessa rela��o, e o que o Carlos J. Pessoa chama de atmosfera de gente em que vivemos fervilhando em ideias e experi�ncias e onde como que intuitivamente vamos sendo. Nesse jogo da vida e das pessoas �s vezes sinto medo, mas quando me esque�o dele e assumo que o "risco � bom" torna-se grand�ssimo c� andar.



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