9.9.04
leituras de Ver�o I
O balan�o de 2000 anos de cristianisno, por Umberto Eco:

Se eu for crente, acharei sublime que Deus tenha pedido ao seu pr�prio filho para se sacrificar pela salva��o de todos os homens. � essa a especifidade do cristianismo -- e n�o o facto de o cristianismo primitivo ter passado sete ou oito s�culos a discutir se Cristo era dotado de uma natureza unicamente humana ou unicamente divina, ou de ambas, e quantas pessoas vontadesele incarnava... Tudo isso se nos afigura como jogos teol�gicos completamente in�teis, mas o desafio reside precisamente em apreciar este mist�rio: como, de que maneira, p�de Deus fazer isso por n�s? Mas, se eu considerar que Deus n�o existe, ent�o a quest�o tornar-se-� ainda mais sublime: com efeito, tenho de me perguntar como � que uma parte da humanidade teve bastante imagina��o para inventar um deus feito homem, que aceitou deixar-se morrer por amor da humanidade. Que tenha sido poss�vel que a humanidade concebesse uma ideia t�o sublime, t�o paradoxal, sobre a qual se constr�i uma enorme intimidade com a divindade, leva-me a sentir enorme estima por ela. � certo que esta humanidade fez coisas horr�veis, mas soube inventar isto! Mesmo que Deus n�o exista, ela soube inventar um romance extraordin�rio.

(do livro O fim dos tempos, conversas com Stephen Jay Gould, Jean Delumeau, Jean-Claude Carri�re, Umberto Eco, edi��es Terramar)



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