1.9.04
India Song - um filme de Marguerite Duras


A primeira coisa que montei foi a m�sica, o som chegou depois, por isso o filme foi musical antes de ser falado, o que nunca acontece porque a m�sica � a �ltima coisa a ser colada. O filme � logo no in�cio um moderato cantabile, sem jogos de palavras, e depois um vivace no meio e no fim um andante intermin�vel. (notas de india song)

O trabalho mais moroso foi o das vozes. Mais do que a montagem - a montagem das imagens. Gravei sons por todo o lado: em igrejas, lugares muito ruidosos, em caves, corredores, na minha casa, um pouco por todo o lado... Sempre fui muito sens�vel �s vozes ouvidas por acaso, fragmentadas, em lugares p�blicos, em caf�s, nos p�tios dos pr�dios, muito alta, das crian�as que brincam, das pessoas que falam, mesmo s� por um instante. Em Paris abro as janelas no Ver�o. Fa�o-o frequentemente. Para ouvir estes rumores.
INDIA SONG � um filme em parte - 80% - surdo e cego: n�o vemos ou vemos muito mal. E n�o ouvimos ou ouvimos muito mal. H� vozes que emergem. Desta desordem. Desta noite. Desta surdez. S�o muito raras. Mas quando as ouvimos, � uma festa! (entrevista - Dominique Noguez)



Dizem que com este filme Duras quis "fazer o cinema que pensava que estava nos seus livros, e que ningu�m tinha conseguido fazer".

Em Janeiro aproveitei um sess�o especial aqui em Coimbra e fui ver este filme. N�o ia nada preparada para o que ali aconteceu. Vi professores meus e muitas outras pessoas desistirem daquela tela. Fiquei at� ao fim, a �ltima meia hora foi quase insuport�vel. Sa� certa das imagens lind�ssimas, notando muito mais na m�sica do que o costume... ainda hoje a oi�o... mas sem saber o que pensar.
Um amigo, uma das pessoas mais inteligentes que conhe�o, disse-me mais tarde que tinha visto este filme h� 30 anos em Paris e n�o tinha percebido rigorosamente nada. Voltou a v�-lo h� poucos anos e gostou muito. Talvez eu venha a repetir este filme daqui a 30 anos...

LISBOA

�vila
Sala 1
14h30, 17h, 19h30, 22h



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