23.7.04
"Tanta coisa que n�s n�o t�nhamos palavras para dizer"


Hoje acordei a ouvir o "Tejo que levas as �guas" seguido da triste not�cia: morreu Carlos Paredes. Desde 1993 que estava gravemente doente, impedido de tocar guitarra. Hoje deixou-nos definitivamente.
"Tejo que levas as �guas / correndo de par em par / Lava a cidade de m�goas / leva as m�goas para o mar"... Esperemos que as m�goas partam. Para j� o luto continua com a morte de mais um mestre.

Dele h� pouco para citar. A guitarra n�o se cita e ainda bem. Dizia em 1990, esta coisa espantosamente humilde: �As pessoas gostam de me ouvir tocar guitarra, a coisa agrada-lhes e eles aderem. N�o h� mais nada�. Mas havia mais qualquer coisa. Em Coimbra, nos anos 60, Jos� Carlos de Vasconcelos assistiu � actua��o de Paredes na festa da Tomada da Bastilha e do Dia do Estudante que recorda assim:

Enorme, desajeitado, com o seu eterno sorriso t�mido de quem pede desculpa de existir. Sentou-se, aconchegou a guitarra a si, agarrou-se � guitarra e a guitarra a ele, passaram a ser um corpo �nico, um s� tronco de m�sica e de raiva, de sonho e de melodia, de ang�stia e de esperan�a, exprimindo por sons tanta coisa que n�s n�o t�nhamos palavras para dizer.

Tanta coisa que n�s n�o temos palavras para dizer...



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