9.7.04
Fado da tristeza
N�o cantes alegrias a fingir
Se alguma dor existir
A roer dentro da toca
Deixa a tristeza sair
Pois s� se aprende a sorrir
Com a verdade na boca

Quem canta uma alegria que n�o tem
N�o conta nada a ningu�m
Fala verdade a mentir
Cada alegria que inventas
Mata a verdade que tentas
Pois � tentar a fingir

N�o cantes alegrias de encomenda
Que a vida n�o se remenda
Com morte que n�o morreu
Canta da cabe�a aos p�s
Canta com aquilo que �s
S� podes dar o que � teu"

(Jos� M�rio Branco in Ser Solid�rio)

Volta e meia vem-me esta m�sica � cabe�a. N�o entendo o t�tulo que tem (fado da tristeza) parece-me que fala muito mais da alegria e sua genuinidade do que de tristeza. Fala de verdade e mentira e de como lidamos com as nossas ang�stias: talvez sem fingimento mas h� um esfor�o necess�rio para estarmos atentos para a alegria, um empurr�ozinho na nossa predisposi��o.
Sinto-me muitas vezes a fingir alegria, a esfor�ar-me por passar alegria... �s vezes sinto at� que me � exigido pelos outros: contar hist�rias com piada, estar bem disposto e sempre dispon�vel; j� se espera isso de mim. �s vezes chateia-me, outra vezes sinto que � um elogio. Gosto de andar contente.



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