20.7.04
boas vindas
Chego a casa desde o comboio passando pelas conversas de carro de que gosto. Est� preenchida de luz, bonita. Salta a cadela a cumprimentar, quer festas na barriga. Vem o sorriso e um beijo abra�ado de quem me v� chegar. Chego contente de c� chegar, mesmo se l� tamb�m gostei de estar.
� minha espera dois presentes: 1) agenda pequena e que dita organiza��o; 2) presente de anos muito atrasado, s�o poemas, doze numa caixa creme atada com uma fita, agrad�vel. Poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen pel'A Divani & Divani que "quis assinalar a data do seu anivers�rio com uma oferta muito especial. Doze poemas escolhidos da vasta obra po�tica de Sophia. Um presente para a alma, para folhear e desfrutar com todo o conforto." Assim o fiz e ofere�o tr�s:

Um rom�ntico

Pudesse eu
Pudesse eu n�o ter la�os nem limites
� vida de mil faces transbordantes
Pra poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes.


Outro eterno:

Se
Se tanto me d�i que as coisas passem
� porque cada instante em mim foi vivo
Na luta por um bem definitivo
Em que as coisas de amor se eternizassem


Um �ltimo pol�tico, em defesa da palavra:

Com f�ria e raiva
Com f�ria e raiva acuso o demagogo
e o seu capitalismo das palavras

Pois � preciso saber que a palavra � sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela p�s sua alma confiada

De longe muito longe desde o in�cio
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a flor a �gua
E tudo emergiu porque ele disse

Com f�ria e raiva acuso o demagogo
Que se promove � sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra



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