14.6.04
Oh! Liberdade!
Se eu pudesse
pelas frias manh�s
acordar tiritando
fustigado pela ventania
que me abre a cortina do c�u
e ver, do cimo dos meus montes,
o quadro roxo
de um perturbado nascer do sol
a leste de Timor

Se eu pudesse
pelos t�rridos s�is
cavalgar embevecido
de encontro a mim mesmo
e sentir o cheiro dos animais
bebendo das nascentes
que murmurariam no ar
lendas de Timor

Se eu pudesse
pelas tardes de calma
sentir o cansa�o
da natureza sensual
espregui�ando-se no seu suor
e ouvir contar as canseiras
sob os risos
das crian�as nuas e descal�as
de todo o Timor

Se eu pudesse
ao entardecer das ondas
caminhar pela areia
entregue a mim mesmo
no enlevo molhado da brisa
e tocar a imensid�o do mar
num sopro da alma
que permita meditar o futuro
da ilha de Timor

Se eu pudesse
ao cantar dos grilos
falar para a lua
pelas janelas da noite
e contar-lhe romances do povo
a uni�o inviol�vel dos corpos
para criar filhos
e ensinar-lhes a crescer e a amar
a P�tria Timor

Xanana Gusm�o
Cipinang, 8 de Outubro de 1995

Para n�o esquecer Timor. Que � feito de Timor? Amigos chegam de l� e lamentam n�o obrigarem os volunt�rios a aprender Tetum, dizem que assim o seu trabalho rende 10% do que poderia render. Outros dizem que a pobreza � muita, o trabalho por fazer � muito, que continuam a esconder-se amea�as pelas sombras.
Para n�o esquecer os que ali morreram, para n�o esquecer as mulheres que criam filhos de militares indon�sios, para n�o esquecer que ali o grito liberdade continua vibrante.
Para lembrar todos os presos injustamente neste mundo, os que est�o presos pelas causas de povos, da gente que sofre e continua a sofrer.
As pris�es n�o s�o lugar para pessoas.



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