16.6.04
o voto e a bota
Sem surpresas, o nosso apelo ao voto caiu em saco roto. Os 195 milh�es de europeus que se abstiveram ainda n�o l�em o nosso blog...
O Z� Maria exprimiu a sua revolta com a elevada absten��o. J� o director do "P�blico" explicou que a absten��o n�o o preocupava muito: "Uma absten��o elevada nas elei��es n�o ser� sinal de fraqueza da democracia, mas tamb�m n�o impedir� que se fa�am leituras pol�ticas do resultado eleitoral". Ainda estamos � espera das leituras pol�ticas. Sobre as fraquezas e for�as da democracia, falemos um pouco mais.
A nossa forma de viver a democracia � um pouco caricata. Um amigo meu diz que todos ser�amos �ptimos chefes de estado, mas nenhum de n�s gosta de ser administrador do seu condom�nio... Esta contradi��o exprime bem a forma como encaramos o poder: falamos mal dos pol�ticos todos e arranjamos alibis para n�o fazer aquilo que est� ao nosso alcance.
Apesar disso, n�o sinto que se possa falar propriamente de crise da democracia � conta da absten��o nas europeias. Crise no sentido de vivermos um momento perigoso ou decisivo para o regime democr�tico. Gostei da met�fora do pano cr�: "como pano-cru / eu ainda estou por acabar". H� muito para melhorar na nossa organiza��o democr�tica e na forma como educamos para a participa��o. E h� muitas transforma��es a acontecer na maneira como os cidad�os se relacionam com o sistema pol�tico (a que espero voltar brevemente).
E para acabar digo s� que � preciso continuar a cultivar a "insensata humildade de votar" de que falava o M�rio Mesquita:
Com a humildade de quem sabe que o seu grau de decis�o corresponde a uma �nfima parcela do todo nacional ou gra�as � m�gica ilus�o de participar, vou invariavelmente depositar o boletim na urna. Mesmo quando n�o tenho especial motiva��o para escolher entre o Sousa, o Silva ou o Santos, exer�o o direito ao voto. Prefiro cultivar essa "insensatez" ou essa "magia", a delegar as decis�es numa elite iluminada, conservadora ou revolucion�ria, moderada ou fundamentalista.



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