19.6.04
Geni e o zepelim
(Chico para a Adelaide Seabra, recordando a aula em que nos contou a hist�ria da Geni...)

De tudo que � nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela j� foi namorada
O seu corpo � dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
� de quem n�o tem mais nada
D�-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atr�s do tanque, no mato
� a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E tamb�m vai ami�de
Co'os velhinhos sem sa�de
E as vi�vas sem porvir
Ela � um po�o de bondade
E � por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela � feita pra apanhar
Ela � boa de cuspir
Ela d� pra qualquer um
Maldita Geni

Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edif�cios
Abriu dois mil orif�cios
Com dois mil canh�es assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar gel�ia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo - Mudei de id�ia
- Quando vi nesta cidade
- Tanto horror e iniquidade
- Resolvi tudo explodir
- Mas posso evitar o drama
- Se aquela famosa dama
- Esta noite me servir
Essa dama era Geni
Mas n�o pode ser Geni
Ela � feita pra apanhar
Ela � boa de cuspir
Ela d� pra qualquer um
Maldita Geni

Mas de fato, logo ela
T�o coitad e t�o singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro t�o vistoso
T�o temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
- e isso era segredo dela
Tamb�m tinha seus caprichos
E a deitar com homem t�o nobre
T�o cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua m�o
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milh�o
Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Voc� pode nos salvar
Voc� vai nos redimir
Voc� d� pra qualquer um
Bendita Geni

Foram tantos os pedidos
T�o sinceros t�o sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem d�-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
At� ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou at� sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
N�o deixou ela dormir
Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela � feita pra apanhar
Ela � boa de cuspir
Ela d� pra qualquer um
Maldita Geni



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