20.5.04
� Val�ria e ao Andr�
Pelo misterioso dom de desejar um filho.
Que seja um b�b� criador de futuros cheios.


Espalhem a not�cia
do mist�rio da del�cia
desse ventre
Espalhem a not�cia
do que � quente e se parece
com o que � firme e com o que � vago
esse ventre que eu afago
que eu bebia de um s� trago
se pudesse

Divulguem o encanto
o ventre de que canto
que hoje toco
a pele onde � tardinha desemboco
t�o cansado
esse ventre vagabundo
que foi rente e foi fecundo
que eu bebia at� ao fundo
saciado

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher

A terra tremeu ontem
n�o mais do que anteontem
pressenti-o
O ventre de que falo como um rio
transbordou
e o tremor que anunciava
era fogo e era lava
era a terra que abalava
no que sou

Depois de entre os escombros
ergueram-se dois ombros
num murm�rio
e o sol, como � costume, foi um aug�rio
de bonan�a
s�os e salvos, felizmente
e como o riso vem ao ventre
assim veio de repente
uma crian�a

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher

Falei-vos desse ventre
quem quiser que acrescente
da sua lavra
que a bom entendedor meia palavra
basta, � s�
adivinhar o que h� mais
os segredos dos locais
que no fundo s�o iguais
em todos n�s

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo do mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher


(S�rgio Godinho, Espalhem a not�cia)



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