20.5.04
um par de sapatos levantando o p�

Dois sapatos. Um impec�velmente novo, com a pele nova, quase intocado. O outro era velho, estragado, vincado de muitos quil�metros percorridos. Olhei de novo e sim, eram da mesma pessoa. Olhei mais para cima, percorrendo o seu corpo de baixo para cima at� chegar � cara. Percebi. Era uma das personagens mais omnipresentes nesta cidade, que conhe�o desde pequena e que encontro em todo o lado. Umas vezes parece passear, outras vende santinhos em papel, �s vezes pede dinheiro. � um homem velho que sem uma perna, sim, o sapato novo � suportado por uma perna de metal, corre (corre mesmo!) a cidade de fio a pavio. Como as nossas coisas que n�o usamos, como as nossas qualidades que n�o exercitamos ou a que decidimos n�o ligar aquele sapato est� novo. Pronto para quem o queira usar. Como os ouvidos da minha av�, habituados ao sil�ncio de viver acompanhada toda a vida com um homem com quem o entendimento j� ia al�m das palavras, desabituou-se de ouvir.



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