22.5.04
�-nos preciso olhar

Por tr�s da sujeira
Que se estende diante de n�s
Por tr�s dos olhos enrugados
E dos rostos moles
Para al�m destas m�os
Abertas ou fechadas
Que se estendem em v�o
Ou que s�o punhos erguidos
Mais longe do que as fronteiras
Que s�o arames farpados
Mais longe do que a mis�ria
�-nos preciso olhar

�-nos preciso olhar
O que h� de belo
O c�u cinzento ou azulado
As raparigas � beira da �gua
O amigo que sabemos fiel
O sol de amanh�
O voo de uma andorinha
O barco que volta
O amigo que sabemos fiel
O sol de amanh�
O voo de uma andorinha
O barco que volta

Para al�m do concerto
Dos solu�os e dos choros
E dos gritos de c�lera
Dos homens que t�m medo
Para al�m da algazarra
Das ruas e dos estaleiros
Das sirenes de alarme
Das pragas do carroceiro
Mais forte que as crian�as
Que contam as guerras
E mais forte que os grandes
Que nos fizeram faz�-las

�-nos preciso escutar
O p�ssaro no fundo dos bosques
O murm�rio do ver�o
O sangue que se eleva em n�s
As can��es de embalar das m�es
As ora��es das crian�as
E o barulho da terra
Que adormece docemente
As can��es de embalar das m�es
As ora��es das crian�as
E o barulho da terra
Que adormece docemente



Jacques Brel (Il nous faut regarder, 1955)



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