28.4.04
Entabular de conversa


Aceitado o convite do outro Zé (o Filipe) deste Blog para um copo de Porto à volta de uma conversa (ou amena cavaqueira � volta do copo de Porto) ponho-me a caminho. Já estava atrasado para a hora combinada do encontro e vou com o "Venham mais cinco" do Zeca a ecoar na cabeça e no ouvido (da colecção do Público para o festejo dos 30 anos passados da nossa Revolução de Abril: "canções de luta e liberdade") a pensar no que é isso de conversar e "encher tudo de futuros". Queria que "a conversa" começasse de alguma maneira que eu sentisse que valia a pena... sinto que ainda há muitas revoluções a fazer, mesmo que sejam só internas: minhas.

À partida conversar é simples, banal, toda a gente pode fazê-lo e, apesar disso, pode ser extraordinariamente apaixonante e rico (fácil, barato e dá milhães). Não será "a mais amarga das queixas, a da solidão, a da falta de alguém com quem ter dois dedos de conversa?" (Fernando BELO, A Conversa, Linguagem do quotidiano).

Ia eu com estas ideias na cabeça para o meu primeiro escrito quando deparo com o Diego Parra e percebo o que é isto que a Rita (a Wemans) chamava de "encher tudo de futuros". Lembro-me que quando foi a apresentação do livro dela, Maria de Lourdes Pintasilgo (uma mulher com M maiúsculo enorme) convidada de honra para a apresentação, me deixou com o "frenesim" de querer construir coisas bonitas, de ser bom no que faço, este mesmo "frenesim" que tenho agora... há pessoas que têm esta capacidade de nos arrancar ao "deixarmo-nos levar pela vida" para nos levarem até ao "agarramos a nossa vida".

Um agradecimento ao Zé Filipe por nos ter posto à conversa, esperemos que quem nos leia goste.



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